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Pequenas notáveis na Bienal
Com bons títulos e criatividade,
editoras menores tentam se destacar na feira
Vivian Rangel
O desafio de fazer negócios e promover vendas durante a Bienal
instiga todos os livreiros, mas para as pequenas editoras
os percalços são maiores. Como crianças em festa de adulto,
o maior objetivo das quase anônimas é aparecer, atraindo leitores
e parceiros de negócios. Convencidos da importância de estar
na maior feira de livros do país, as pequenas notáveis ultrapassam
problemas como a escassez de verba para divulgação e catálogos
incipientes. E ensinam que a união de forças e a imaginação
são bons reforços para concorrer com as gigantes.
- Ninguém espera retorno financeiro imediato. O principal
é nos apresentarmos e tornar os catálogos conhecidos. Na edição
passada nos unimos num único estande para divulgar a Liga
Brasileira de Editoras (Libre). Desta vez apostamos na abordagem
das editoras, com 20 estandes individuais - explica o presidente
da Libre, Angel Bojadsen. A Bienal é também um espaço importante
para encontros institucionais e negócios a varejo. É na feira
do Riocentro que se discutem detalhes sobre a Primavera dos
Livros, a feira das pequenas e médias editoras, e projetos
para furar o domínio das grandes redes no mercado.
Fora das reuniões de negócios, editoras como Casa da Palavra,
Editora 34, CosacNaify e Pallas consolidam suas identidades
pela feira. Cada uma delas tem nichos principais de atuação.
A Casa da Palavra é famosa pelas obras sobre samba; a CosacNaify,
pelos livros de arte; a Editora 34 tem dezenas de livros de
psicologia; e a Pallas é especializada em religião afro-brasileira.
- O leitor guarda o nome da editora pela sua temática de interesse
e volta na próxima feira procurando pelo selo. Este ano, por
exemplo, a premiada coleção Lembranças Africanas está fazendo
sucesso - conta a editora da Pallas, Cristina Warth.
Na briga por atenção, as editoras tentam se diferenciar. O
espaço da Associação Brasileira de Editoras Universitárias
(Abeu) é simples, mas impressiona pelo tamanho: 800 metros
quadrados repletos de estantes.
- Nosso público é bastante específico e nos procura para conhecer
as obras. Sem a Bienal isso seria impossível para editoras
que não contam com distribuição - conta a coordenadora do
estande da Abeu, Maria Julia Guedes.
A aparência também conta. O estande da CosacNaify tem um visual
multicolorido, inspirado em obra de Eduardo Sued. Paredes
de quatro metros de altura são estampadas com uma combinação
de quadrados e linhas de cores variadas. O efeito tem encantado
os visitantes.
- É uma possibilidade única de ver todo o nosso catálogo e
desmitificar a idéia de que nossos livros são caros - afirma
a diretora comercial da editora de livros de arte, Eliete
Cotrim.
A Casa da Palavra atrai a atenção na Bienal com a exibição
de trailers de livros. Entre um vídeo sobre contos ou uma
seqüência de imagens ao som de samba carioca, o visitante
acaba tentado a folhear o catálogo, como afirma a editora
da Casa da Palavra, Martha Ribas:
- As pequenas editoras sabem que é quase impossível pagar
o custo de uma Bienal com vendas. O principal objetivo é fazer
algo diferente, que chame a atenção, como esses vídeos, que
são baratos de produzir. Criatividade é fundamental.
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