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Vivre les livres!
Expandida, a Bienal do Livro do Rio
chega à 12ª edição e homenageia
a França
Vivian Rangel
É preciso aguçar os ouvidos e focar a visão
para aproveitar um evento de cada vez. Estandes de livros
anunciam lançamentos imperdíveis e clássicos
cobiçados a preços convidativos.
Nos corredores, conversas com autores e produção
de desenhos e textos. Nos auditórios, debates controversos,
indispensáveis à construção de
um pensamento crítico. Há ainda o encanto de
ver e fazer perguntas a bambas da escrita no Café Literário.
E espaços dedicados aos jovens leitores, além
de versos para amantes da poesia, de todas as idades. É
cultura sem imposição de silêncio ou clima
solene, é espaço para interagir, ler, comentar,
assistir ou simplesmente analisar a quantas anda o mercado
editorial brasileiro. A integração entre letras,
autores e leitores acontece nos 55 mil metros quadrados do
Riocentro, por onde devem caminhar cerca de 600 mil pessoas
durante os 11 dias da 12ª Bienal Internacional do Livro
do Rio de Janeiro, que começa na quinta-feira.
Em versão estendida, como um DVD clássico restaurado
e relançado com extras inéditos, a Bienal versão
2005 vem turbinada com novos espaços e sotaque francês.
A oportunidade de garimpar entre centenas de obras continua
sendo o principal objetivo de se deslocar até o Riocentro,
mas há tantas atrações culturais, que
andar pela Bienal agrada a qualquer leitor desde os
que buscam livros esotéricos até o pesquisador
que escarafuncha todos os estandes em busca da próxima
raridade.
A Bienal deste ano cresceu cerca de 10% em espaço
e tem a participação de 230 autores brasileiros
e 24 estrangeiros, além de 890 editores. O movimento
das vendas é importante, mas acima disso existe a intenção
de aproximar o leitor dos livros. Nenhuma livraria tem em
catálogo os 15 mil títulos lançados por
ano no Brasil analisa Paulo Rocco, presidente do Sindicato
Nacional dos Editores de Livros.
O país homenageado desta edição é
a França, e a terra de Proust e Balzac está
representada por autores como o novato Martin Page, cujo romance
Como me tornei estúpido figura entre os livros mais
vendidos, e o best-seller Marc Levy. O estande francês
tem uma programação intensa que inclui palestras
sobre a influência da literatura francesa no Brasil
e encontros para discutir e degustar vinhos.
Entre os editores, a troca de experiência com os franceses
vai além do prazer etílico, mas esmiuça
a forte produção editorial do país.
Os encontros serão úteis para discutir
problemas comuns entre o mercado francês e brasileiro
como edições iniciais baixas. E também
para aprender com as diferenças entre os mercados editoriais,
conhecendo o método de distribuição francês
e iniciativas como a experiência do preço único
nos livros detalha Rocco.
Além dos espaços das editoras que têm
programações próprias de palestras, lançamentos
e autógrafos há cinco ambientes culturais
espalhados pelo Riocentro. No tradicional Café Literário
acontecem as edições dos Amigos para sempre,
conversas sobre vida e obras de escritores mediadas por um
companheiro de sua trajetória, além de sessões
com autores franceses e brasileiros. No Fórum de debates,
temas como os clássicos franceses, golpes e revoluções
e as dificuldades de se organizar uma biografia. Na Arena
jovem, a linguagem é descontraída, mas as discussões
vão de produção musical à violência.
Os dois espaços pioneiros são o Jirau da poesia
e o Imaginário do autor. No primeiro, poetas como Omar
Salomão e Mauro Santa Cecília declamam. O Imaginário
do autor tem ares de superprodução e temas que
estimulam as sinapses cerebrais, como escritos diabólicos
e marginalidade.
Os cenários foram cuidadosamente desenvolvidos
e mudam de acordo com os temas. É um espaço
que aproxima os leitores dos escritores conta a coordenara
cultural da Bienal, Rosa Maria Barboza.
A pesquisa de assuntos, autores, cenários, e, claro,
livros começou há mais de um ano sob a coordenação
de Rosa. A historiadora, que faz a produção
cultural da feira desde 1999, foi à livrarias, consultou
catálogos de editoras e visitou feiras internacionais
para selecionar os temas e desenvolver o conceito dos novos
espaços.
Há uma grande expectativa em torno da Bienal
do Livro no Rio. A feira tem uma área três vezes
maior que a Feira de Livros de Paris e lucro de cerca de R$
40 milhões apenas com a venda direta de livros. É
realmente monumental explica.
Para ajudar a selecionar os eventos imperdíveis, o
Idéias traz a programação completa da
Bienal, além de resenhas e entrevistas relativas à
feira, nesta e nas duas próximas edições.
A cobertura diária estará no Caderno B. O guia
é indispensável para circular pela Bienal, que,
patrocinada pela Americanas.com e Embratel, está mesmo
grandiosa. Na edição de 1999 eram 100 escritores
brasileiros e 22 autores portugueses. Dessa vez, segundo Rosa,
há mais do que o dobro de escritores brasileiros, três
vezes mais autores iniciantes e cinco vezes mais poetas.
O livro é cada vez mais valorizado com a modernização
da indústria editorial e uma gama de lançamentos
cada vez maior. Mesmo com tantas inovações tecnológicas,
livros como a série Harry Potter são um sucesso
enorme opina Paulo Rocco, referindo-se às aventuras
do bruxinho que teve sua narrativa em letras reproduzida em
filme, DVD e inúmeros produtos.
As crianças que costumam lotar os pavilhões
da Bienal e sempre saem com ao menos um livrinho que
pode ser trocado pelo comprovante do ingresso não
reclamam de falta de opções. Contadores de histórias,
teatro de bonecos, gincanas culturais e brincadeiras lúdicas
mantêm os pequenos ocupados.
As crianças crescem com a cultura da Bienal
e vêem os escritores como ídolos. Muitas delas
se emocionam quando Ziraldo, por exemplo, autografa O menino
maluquinho conta Rosa.
Os mais crescidos poderão se encantar com lançamentos
musicais, como Crônicas, da Planeta, sobre Bob Dylan,
analíticos, como Mulheres que mudaram o mundo, da Cia
Editora Nacional, acadêmicos como O funk e o Hip Hop
, da editora UFRJ, poéticos como Fino Sangue, de Marina
Colasanti, e centenas de outros. Além das publicações
recentes, a Bienal também é a oportunidade de
conhecer novos selos como o Aerokids da editora Aeroplano
e o Companhia de bolso, da Companhia das Letras.
O selo trará títulos como Nova antologia
poética, de Vinícius de Moraes, a preços
até 50% mais em conta afirma o diretor comercial
da editora, Marcelo Levy.
As novidades editoriais são protagonistas, mas antigas
edições também têm seu espaço.
É possível encontrar raridades (e o estande
da França promete um farto sebo da mais fina literatura
do país) e reedições com preços
tentadores (na edição passada uma coletânea
do Veríssimo podia ser encontrada a R$ 3 e A ordem
de discurso , de Michel Foucault por tentadores R$ 10). É
o momento de adquirir os clássicos enquanto se discute
vanguarda literária em um dos encontros. E sobretudo
celebrar a boa literatura, não aquela que se encaixa
no ultrapassado clichê de sobreviver ao tempo, mas qualquer
coletânea de frases encadeadas que despertem desejos,
saudades, pensamentos ou simplesmente iludam o tempo.
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