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Ex-editor executivo lembra nascimento do JB na internet

O jornalista Rosental Calmon Alves fala com orgulho do pionerismo do Jornal do Brasil em relação ao lançamento do JB Online, em 1995. À época editor-executivo do JB, ele lembra que o jornal já havia criado, dois anos antes, o Serviço Instantâneo de Notícias (SIN), sistema pelo qual eram enviadas notas de economia e política às bolsas, corretoras e bancos e que seria fundamental para o que viria depois. Um terminal da Bolsa de Valores do Rio estava instalado na própria redação da Agência JB.

''Através dele, acompanhávamos as cotações dos papéis na bolsa do Rio e
enviávamos as notas para os clientes'', lembra Ione Luques, que ingressou na AJB há 19 anos e foi uma das primeiras redatoras do SIN.

Rosental destaca que, no Brasil, serviço semelhante, via computador, seria lançado somente mais tarde pelo jornal ''O Estado de São Paulo'', com o Broadcast.

Professor de Jornalismo da Universidade do Texas, em Austin, e diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, Rosental frisa que ''o grande herói'' da empreitada de lançar um jornal em versão digital é Sérgio Charlab, na época editor de projetos especiais do JB e atualmente editor da Revista Seleções.

No início de 1995, Charlab começou, por conta própria, a desenvolver um projeto experimental de jornal online e o levou a Rosental em abril. ''Fiquei absolutamente entusiasmado com o que vi'', recorda Rosental.

Ele cita ainda o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que ''já vinha falando'' em Internet, só que em termos de alguma coisa pré-Web, não gráfica e basicamente através de troca de e-mails''.

''A primeira vez que o Betinho entrou no JB foi na véspera da Rio 92 (conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento). Ele foi à redação levando um lap top, já doente, andando devagarinho com ajuda de um acompanhante, mostrar o que o Ibase fazia'', antes da WEB.

Naquela época, o Ibase, tal como universidades, já promovia a circulação de notícias e informações, em caráter não comercial, e acabaria por se tornar, em 1995, o primeiro provedor comercial de internet do país.

Avançando em seu projeto, Charlab começou a mostrar páginas do JB no computador do próprio jornal, o que convenceu Rosental a preparar a empresa para a novidade. Ele conta que foi bastante difícil agendar uma reunião com José Antonio do Nascimento Brito para falar da idéia.

''Ele não me deixava falar. Então o segurei pelo braço e disse que tinha uma coisa séria e importante para discutir''. Na tarde do mesmo dia, o projeto de Charlab foi mostrado a José Antonio que, para surpresa de Rosental, também ficou entusiasmado.

''Estava com medo da reação dele. Eu mesmo disse que só colocaríamos o jornal no ar às 10h da manhã seguinte para não prejudicar as vendas nas bancas. Mas José Antônio disse que poderíamos publicar o JB na internet à meia-noite, antes mesmo da versão impressa chegar aos leitores". E assim foi feito. Segundo Rosental, o JB Online foi, provalvelmente, o primeiro jornal online da América Latina a ter uma edição regular diária. Ele ressalta também o fato do site do JB ter ido ao ar um ano antes do New York Times.

''A estrutura que tínhamos na Agência JB com o SIN acabou nos ajudando. Foi um grande momento para o jornal. As grandes iniciativas de internet só viriam depois'', diz ele, citando o Universo Online (UOL) e Globo Online, surgidos entre 1996 e 1997.

Rosental revela que ao apresentar o projeto, Charlab encontrou nele ''um interlocutor que já estava esperando'' por algo dessa natureza. ''Desde antes do SIN, minha idéia era a de que o futuro do jornalismo estava ligado a essa combinação de computador, telefone e informação. Estava esperando a oportunidade, mas não sabia de que forma aconteceria'', diz, acrescentando que o próprio pai da Web, Tim Berners-Lee, não tinha noção das infinitas possibilidades que seriam abertas com sua criação.

Para ele, mesmo após o boom dos anos 90, com a quebradeira de empresas ligadas à internet apor causa da especulação financeira, a internet continua sendo o negócio do futuro. ''O ano de 2004 foi muito promissor para as operações de jornalismo na internet nos Estados Unidos. As empresas já obtêm lucro com isso. Não há mais dúvidas. O mercado publicitário também cresce de forma avassaladora. É algo que provoca mudanças de hábitos e de estruturas e os efeitos sobre o jornalismo são enormes''.

"O futuro está na banda larga, multimídia, telefone, televisão e rádio juntos na internet", reitera.

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