A vida é boa, o homem é quem insiste em complicá-la.
Tom Jobim  


Há dez anos a música brasileira perdia um de seus maiores expoentes, um embaixador que a levou aos maiores palcos do planeta. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim fez da paixão por seu país a sua própria obra, mas, caprichosamente, foi em Nova York que o compositor morreu, no dia 8 de dezembro de 2004. Vítima de duas paradas cardíacas sofridas enquanto convalescia de uma operação para retirada de um tumor na bexiga, Tom Jobim deixou um legado de valor inestimável à música do Brasil.

Um dos artífices da bossa nova, Tom Jobim compôs, entre dezenas de outros clássicos, a música brasileira mais executada no mundo, Garota de Ipanema, parceria com Vinícius de Moraes. Além do Poetinha, teve outros parceiros em obras memoráveis, como Newton Mendonça, Billy Blanco, Luiz Bonfá, Aloysio de Oliveira, Dolores Duran e Chico Buarque de Hollanda.Mas foi com Vinícius que compôs Chega de saudade, gravada por Elizeth Cardoso no álbum Canção do amor demais (1958) considerada o marco inicial bossanovista. O registro contou com a batida rítmica inconfundível do violão de João Gilberto, outro ícone do movimento, que na década de 60 ganhou o mundo com outro clássico de Tom Jobim: Desafinado.

Em mais de 40 anos de carreira, Tom foi gravado por estrelas da música internacional como Frank Sinatra, Stan Getz, Miles Davis, Dizzie Gillespie, Charlie Byrd, Sara Vaughan, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. No Brasil fez gravações antológicas, como Águas de março, ao lado de Elis Regina, e o show realizado no canecão em 1978, ao lado de Vinícius de Moraes, Miúcha e Toquinho. Entre as homenagens que recebeu em vida, a mais marcante foi feita pela Estação Primeira de Mangueira, que homenageou Tom Jobim no desfile de 1992. Em 1998, quatro anos após a sua morte, o Aeroporto Internacional do Galeão recebeu o nome de Antônio Carlos Jobim, que imortalizou as belezas do Rio de Janeiro nos versos do inesquecível Samba do avião.