Festejados em Niterói, Torben e Marcelo já pensam em Pequim-2008

JB ONLINE

NITERÓI – Os iatistas bicampeões olímpicos Torben Grael e Marcelo Ferreira chegaram nesta segunda-feira ao Rio de Janeiro. Recebidos com festa no Aeroporto Internacional, eles saíram em carreata até a Ponte Rio-Niterói, onde subiram em um carro do Corpo de Bombeiros e desfilaram pelas ruas da cidade onde moram.

''Niterói é a capital mundial da vela'', dizia Marcelo, eufórico. Centenas de pessoas cumprimentaram os campeões durante o trajeto até o Rio Yacht Club, onde receberam várias homenagens, inclusive de crianças e jovens do Projeto Grael, de inclusão social.

''Sem dúvida é muito bom chegar assim. Normalmente voltamos de uma competição e ninguém repara'', disse o sorridente Torben. ''É uma emoção tão grande quanto a de receber a medalha, mas é mais calorosa, pois tem a família ao lado'', completou Marcelo.

As férias dos iatistas terminam já na próxima sexta-feira. No sábado e no domingo, a dupla de ouro da vela brasileira estará em Brasília, participando do Campeonato Brasileiro de Star, dando início a um novo ciclo olímpico, já de olho nos Jogos de Pequim, em 2008. Aos 44 anos, com seis títulos mundiais e cinco medalhas olímpicas, Torben Grael revela que ainda quer mais.

''Uma conquista como a nossa não se resume às regatas em Atenas'', comentou. ''A caminhada dura quatro anos, sendo os dois últimos mais intensos, quando buscamos garantir a vaga. É evidente que queremos ir a Pequim, mas para isso a preparação começa desde agora e, se não fosse o apoio que temos da família, isso não seria possível'', reconhece o velejador.

Torben e Marcelo não se iludem quanto à possibilidade de a vela tornar-se um esporte popular.

''A vela não é esporte de rico, é de classe média no mundo inteiro. O problema no Brasil está na desigualdade social, na má distribuição de riquezas que faz com que a chamada classe média não tenha recursos'', comentou Torben. Ele, porém, acredita que a nova conquista olímpica incentive patrocinadores a investirem em um outro projeto: a participação de um barco brasileiro na Volvo Ocean Race, regata em volta do mundo.

''Este projeto está amadurecendo e acredito que esta nova medalha será um incentivo a mais. É um sonho a ser concretizado e espero ter uma boa novidade nos próximos dias'', antecipou Torben.

Ao lado das mulheres Andréa e Renata, Torben e Marcelo garantiam que o sucesso da dupla estava na amizade. ''Não existe vaidade entre nós'', disse Marcelo. ''Estamos juntos há 15 anos e orgulhosos pela medalha, mas não entramos numa competição pensando em quebrar recordes ou em estabelecer novas marcas'', acrescentou Torben. ''Agora vamos tentar descansar um pouco e dar início à preparação. A classe Star tem uma flotilha de qualidade no país e se o Robert Scheidt vier para ser nosso adversário será muito bom para o país e abrirá oportunidade para novos valores na classe Laser'', concluiu Torben Grael.

 

17:51 30/08/2004
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