Taekwondo esteve perto da medalha

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Nathalia Silva viu o bronze escapar para a venezuelana Adriana Carmona

Guto Seabra

Enviado especial

ATENAS - Por pouco o taekwondo não beliscou uma medalha no último dia. Derrotada na semifinal, Nathalia Silva deixou escapar o bronze para a venezuelana Adriana Carmona. O choro da lutadora brasileira traduziu ao final toda a dificuldade de quem arca com a maioria das despesas e, segundo ela, vê o acordo com a Confederação Brasileira de Taewkondo ser descumprido.

- Trataram que eu receberia R$ 1 mil por mês, mas só chega R$ 400 para mim. Não sei por quê - disse.

O técnico José Palermo Jr. acusa a Confederação Brasileira de má administração da receita da Lei Agnelo/Piva. Afirma que o salário demora quase sempre 90 dias para ser depositado nas contas de atletas e técnicos.

Tanto ele como a atleta abonam o vice-presidente Marcelino Soares. Deixam para que a acusação fleche o presidente Yong Min Kim. Mas não falam em nomes.

- O dinheiro precisa ser mais bem administrado. Ser canalizado. Ele sai do COB e vai para a Confederação de Taekwondo. Por que o dinheiro não chega? Qual a explicação? - espetou o técnico, empresário do ramo de óticas que faz do esporte um hobby.

Palermo Jr. critica também o uso do esporte como meio de política, para se ascender pessoalmente. Diz que ficou fora de Sydney-2000, por exemplo, ''por opção da amizade''.

- É uma falta de respeito total - desabafa.

Nathalia sobrevive no taekwondo com a ajuda financeira dos pais, que arcam com 95% das despesas. Na preparação olímpica, que envolveu o abandono da Faculdade de Educação Física, os custos chegaram a R$ 30 mil.

- Gastei mais do que se tivesse comprado um carro - comparou.

Além do sacrifício financeiro para seguir treinando, Nathalia enfrentou outro tipo de problema. O fantasma do corte a espreitou quando, num treino já em Atenas, ela teve suspeita de fratura do dedão do pé esquerdo. Conforme a lutadora, mestre Pam, coreano contratado para comandar a equipe olímpica, sugeriu o afastamento.

- Eu ia lutar de qualquer jeito. Fizemos ressonância, que não deu nada. Mas doeu bastante - lembrava Nathalia.

Palermo Jr. não poupa o coreano da lavagem de roupa suja:

- Ele (Pam) veio de fora e não se enquadrou na cultura do Brasil.

 

09:57 30/08/2004
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