Vaidades bloqueadas

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Paula Orsini

Comentarista

Hoje, o vôlei masculino brasileiro caminha para a merecida coroação. Entre dores e conquistas, um jogador se destaca pela brilhante trajetória: Nalbert.

Você sofreu uma cirurgia no ombro esquerdo em abril. Tem sentido alguma diferença no seu jogo?

Nalbert – Tecnicamente falando, não. Intensifiquei bem o trabalho físico no último mês para que estivesse 100 % na quadra.

O grupo demonstra bastante segurança e união. O papel do Bernardinho parece fundamental nesse relacionamento...

– Sem dúvida. Existe uma força enorme no grupo, além da pouca vaidade. Sabemos que o benefício pessoal depende do resultado da equipe no jogo. Um dos nossos trunfos é o grupo estar sempre à frente do “eu”. E o Bernardo veio exatamente para reforçar essa filosofia de trabalho.

Diante das conquistas, qual é o horizonte do vôlei de quadra no país?

– O vôlei no Brasil é um esporte à parte. Conta com toda uma estrutura, patrocínios, enfim, tudo de que precisamos, desde a base. E mostramos resultados disso.

Me fale um pouco de você, da sua personalidade, dos seus defeitos...

– Sou muito determinado, consciente de onde quero chegar. Sou movido a desafios. Consigo analisar muito melhor meus defeitos do que minhas qualidades porque sou perfeccionista e estou sempre pensando em melhorar. Mas não vou admitir para você meus defeitos.

Você tem alguma superstição?

– Eu dou três batidinhas no chão da quadra para pedir proteção antes da partida e sempre rezo no banho mentalizando coisas boas antes de me arrumar para os jogos. Não peço resultados, mas sim que nada de ruim aconteça.

A rotina dos treinos, durante o ano inteiro, chega a desanimar você, em algum momento?

– A rotina é cansativa, muito dura... Chego a ter apenas um mês de férias por ano, sempre buscando o limite. Aí, vêm as dores... O pior de tudo é estar longe de casa. Nos últimos 10 anos, estive jogando na Itália por quatro anos e, no Japão, por um. Mas o resultado compensa no fim. Sempre que posso, reúno toda a família para um churrasco.

Algum ídolo no esporte?

– Desde garoto, o meu maior ídolo sempre foi o Zico. Mas tem vários atletas que admiro pela obstinação, como Michael Jordan.

Quais foram os piores momentos na sua carreira?

– As maiores frustrações foram nas duas últimas Olimpíadas. Em 96, o grupo estava cheio de problemas, e, mesmo em condições de ganharmos uma medalha, ficamos em quinto. Em 2000, na Olimpíada de Sydney, por algum motivo acabamos ficando em sexto.

Planos para o futuro?

– Após a Olimpíada, volto para o Brasil. Há grandes chances de jogar no Banespa. Ano que vem, vou realizar o meu sonho de jogar na praia. Acho que a minha carreira na quadra estará completa. Estarei saindo no topo e não tenho dúvidas que me darei bem jogando na praia. Como já falei, sou movido a desafios e o meu maior será ganhar o ouro na praia.

O que significa estar numa Olimpíada?

– É o grande sonho de todo atleta. No meu caso, será uma coroação final.

A que você compararia a sensação de vitória?

– É uma sensação única, de leveza, dever cumprido.

 

03:21 29/08/2004
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