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A
esperança dourada na ginga
de Daiane dos Santos
Responsabilidade
e cobranças não mexem com a cabeça de uma das principais estrelas
do esporte brasileiro
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Danielle Chevrand
Grraças
a uma gauchinha de 21 anos, o Brasil começou a sonhar com sua primeira
medalha de ouro na ginástica artística em uma Olimpíada. Campeã
mundial no solo e nome de uma acrobacia inédita, Daiane dos Santos
promete fazer o impossível – inclusive sambar na frente dos jurados
com sua coreografia Brasileirinho – para tornar o ouro realidade
nos Jogos Olímpicos de Atenas. Até o início da Olimpíada, em agosto,
o Jornal do Brasil estará apresentando todo domingo os atletas brasileiros
que, como Daiane, têm reais chances de conduzir a bandeira brasileira
ao lugar mais alto do pódio – ou pelo menos em um de seus honrosos
degraus.
Em
uma praça de Porto Alegre, a carreira de sucesso de Daiane dos Santos
começou a tomar vida. Aos 11 anos, enquanto fazia suas estripulias
de criança, foi vista por uma professora e convidada para fazer
ginástica olímpica. A dedicação ao clube gaúcho Grêmio Náutico União
fez com que Daiane fosse convocada para integrar a Seleção Brasileira.
Desde 2001 treinando com o ucraniano Oleg Ostapenko, os movimentos
da ginasta brasileira ganharam os contornos da elite da ginástica
mundial e as conquistas foram se sucedendo.
Em
agosto do ano passado, Daiane conquistou o título mundial no solo
em Anaheim, nos Estados Unidos. Durante o Mundial, executou pela
primeira vez o salto duplo twist carpado, que em novembro de 2003
passaria a ser reconhecido oficialmente pela Federação Internacional
de Ginástica (FIG) como Dos Santos. Hoje, Daiane é a única no mundo
capaz de executá-lo.
Depois
do título mundial, a gaúcha confirmou sua soberania na prova ao
ganhar outros quatro ouros no solo. Hoje, ela é a líder do ranking
mundial e maior estrela brasileira na ginástica.
Daiane
é apontada pelo técnico Oleg Ostapenko como a única atleta da Seleção
de ginástica capaz de voltar de Atenas com uma medalha olímpica.
Responsabilidade que ela aparenta não temer:
– Tenho treinado para atingir meu principal objetivo que é conquistar
uma medalha olímpica. Fico feliz em ver que o Oleg acredita em mim.
Acho que tenho chances de conquistar uma medalha, mas uma Olimpíada
não é que nem um Mundial e vice-versa – disse Daiane, sem descartar
a possibilidade de medalha para os outros ginastas brasileiros,
pelo menos nas próximas Olimpíadas: – Os outros também têm condições
de trazer medalha, afinal todos treinam da mesma forma, só não sei
se as condições são para agora ou para o futuro. O resultado não
é feito em apenas um dia, ele vem de um conjunto. É importante avaliarmos
também os nossos adversários. Tudo depende da competição. Vamos
aguardar para ver como será nosso desempenho em Atenas.
A gaúcha
também não se intimida com o fato de a Olimpíada estar se aproximando.
– Eu procuro não pensar nos Jogos. A obrigação que eu tenho com
o país não é trazer uma medalha, mas sim representá-lo da melhor
forma possível. Nunca prometi medalha para ninguém. Falei apenas
que daria o meu melhor. Não quero que as pessoas se esqueçam que
essa é uma competição nova para mim. Não é porque eu fui campeã
mundial que serei campeã olímpica. O que eu conquistei no passado
não pode servir como base para uma cobrança nesse momento. Estamos
treinando muito e daremos o nosso melhor pelo Brasil.
Durante
os dois períodos de treino que realiza diariamente no Centro de
Treinamento da Seleção, em Curitiba, Daiane aproveita para aprimorar
seu Brasileirinho.
– Ainda tenho algumas coisas para arrumar na coreografia de solo.
Ainda precisamos lapidá-la um pouco. Estamos trabalhando nisso agora.
Vamos buscar aprimorá-la cada vez mais até a Olimpíada – explicou
a ginasta, que aponta a romena Catalina Ponor, a espanhola Elena
Gomez e a russa Svetlana Korkina como principais adversárias. –
É difícil citar apenas duas ou três. Todas podem ser consideradas
adversárias de peso.
Além
de Daiane, o Brasil estará representado em Atenas por toda a equipe
olímpica de ginástica, pela primeira vez na história do esporte.
O feito se deu graças ao oitavo lugar conquistado pela equipe no
Mundial de Anaheim, em agosto do ano passado.
As
demais integrantes da equipe feminina e em quais aparelhos elas
irão representar o país serão definidos até o dia 15 de julho. Ana
Paula Rodrigues, Daniele Hypólito, Camila Comin, Caroline Molinari,
Laís Souza, Thais Silva e Merly de Jesus disputam cinco vagas. Este
ano, o Brasil terá um representante entre os homens. O ginasta Mosiah
Rodrigues disputará todos os aparelhos.
O Brasil
também estará representado na ginástica rítmica feminina. Praticamente
sem chances de medalha, o conjunto brasileiro se apresentará em
duas modalidades: fitas e arcos e bolas.
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