cústico MTV (Ira!) - A despeito de seu indiscutível êxito comercial, o formato acústico apresenta um claro esgotamento artístico, mais pelo excessivo número de artistas que aderem à fórmula consagrada que propriamente pelas limitações naturais de tais projetos. Mas foi com o lançamento de seu disco desplugado que o Ira! voltou ao Olimpo do pop rock nacional. O CD traz sucessos como Núcleo base, Flores em você, Envelheço na cidade e Dias de luta em arranjos valorizados pelo virtuosismo do guitarrista/violonista Edgard Scandurra, além de boas faixas inéditas, como Pra ficar comigo, versão de Train in vain (Stand by me), do Clash.  
 


 
  abylon by Gus - O ano do macaco Volume 1 (Black Alien) - Ex-integrante do Planet Hemp e do Reggae B, Gustavo Black Alien se destacou com participações em trabalhos de amigos, como Fernanda Abreu, Marcelinho da Lua, e mais recentemente, os Paralamas do Sucesso, o que justifica a expectativa em torno de seu primeiro álbum solo. O rapper de Niterói não decepcionou, lançando o melhor disco de hip hop brasileiro depois de À procura da batida perfeita (2003), de Marcelo D2. Black Alien fundiu referências que vão do reggae ao rock, passando pelo funk setentista, em faixas como Mister Niterói, Estilo do gueto, Primeiro de dezembro, Uma extrapunkprumextrafunk e América 21. Além de letras contundentes, o CD conta com a excepcional produção do DJ Basa e a participação de amigos como Bi Ribeiro (Paralamas do Sucesso), Pupilo (Nação Zumbi) e Rafael Crespo (Planet Hemp).  
 


 
  agabundo (Ney Matogrosso & Pedro Luís e a Parede) - Longe de qualquer rótulo, o encontro de Ney Matogrosso com Pedro Luís e o grupo A Parede produziu um dos álbuns mais instigantes do ano. A genérica classificação de MPB não comporta o disco, tal a liberdade artística gerada pelo cantor matogrossense e o grupo carioca na concepção do trabalho. Um dos maiores trunfos do disco está na escolha do repertório, que despreza qualquer cânone comercial para criar uma acertada mistura de estilos e autores. Temas dos Secos & Molhados (Assim assado e Napoleão) dividem espaço com músicas de Itamar Assumpção (Transpiração e Finalmente), Martinho da Vila (Disritimia), André Abujamra (O mundo) e Jackson do Pandeiro (A ordem é samba), além de faixas compostas por Pedro Luís, como Seres Tupy e Interesse.  
 


 
  adadenovo (Mombojó) - O título do CD chega a soar irônico, já que o álbum de estréia do grupo Mombojó foi um sopro de inovação no estagnado cenário pop-rock nacional. A banda pernambucana mescla samba, choro, bossa nova, eletrônica, surf music, rap e samba rock, além da referência local do mangue beat. Distribuído com a a quarta edição da revista Outracoisa, o disco independente tem na irreverência e no descompromisso comercial suas maiores qualidades, como demonstram as faixas Splash shine, Discurso burocrático, Nem parece, Merda.  
 


 
  em samba no mar (Roque Ferreira) - Autor de sucessos que deram título a dois discos de Zeca Pagodinho, Samba pras moças (1995) e Água da minha sede (2000), o baiano Roque Ferreira lançou em 2004 o primeiro álbum solo de seus vinte anos de carreira. Muito antes de sua estréia em disco, o cantor de Nazaré das Farinhas já havia conquistado admiradores como Elton Medeiros, Martinho da Vila, Rildo Hora, Paulo César Pinheiro, Beth Carvalho e Clara Nunes - a primeira a gravar uma composição sua no disco Esperança (1979). Representante do samba-de-roda do Recôncavo Baiano, Roque Ferreira também resgata no disco a tradição de outros ritmos regionais, desde o coco de embolada, o samba de capoeira até o ijexá, em ótimas faixas como Quebradeira de coco, Luz de candeeiro, Dona Fia, Oxóssi, Menino do samburá e A mão da dor.demonstram as faixas Splash shine, Discurso burocrático, Nem parece, Merda.