Que venha o verão
Um final apoteótico, com o desfile da Rygy levantando a platéia da maior sala do Fashion Rio, no Museu de Arte Moderna do Rio, garantiu ao evento a certeza do sucesso. A direção de cena de Gringo Cardia reuniu cerca de 400 pessoas nos camarins da tenda Pão-de-Açúcar, com capacidade para mais de mil convidados. Assim foi resolvida a questão do encerramento festivo da semana de moda do Rio: foi um desfile completo, porque tinha a graça da coleção de maiôs e biquínis com estampas africanas, paisagens de ilhas, bananeiras estilizadas, florões de chitas, florais delicados ou bordados com pérolas assinados por Regina Aragão. Um bom show precisa de celebridades? Pois Adriane Galisteu estava lá. E o espetáculo, deve ser divertido? Ora, nada mais engraçado do que assistir a uma verdadeira parada de tipos característicos das ruas e praias do Rio: a passarela foi ladeada primeiro por 50 modelos masculinos, de sungas verdes e azuis; em seguida, os bonitões foram substituídos por 40 representantes da turma das pranchas e skates, que foram seguidos por um lote de musculosos de sungas brancas, mais dezenas de meninos malabaristas de sinal e o grupo final de Apolos negros que distribuiu bolas para a platéia, já aos gritos. Faltava o quê? A música? A batucada do Afro Reggae levou a multidão ao delírio. O final ficou à altura do clima festivo e organizado que predominou nos jardins e salas do MAM, que aderiu à moda até na fachada, que ficou florida por efeitos de iluminação. Cerca de 70 mil convidados circularam nos 25 mil metros quadrados de área ocupada, durante os quatro dias do Fashion Rio - a Maria Bonita desfilou no primeiro dia, no Jardim Botânico. Dores de cabeça, gripes, mau jeito nas costas e tornozelos torcidos por causa dos saltos altos foram as causas dos cerca de 20 atendimentos diários pelas equipes médicas. Além das passarelas, quem participou das ações nos espaços também saiu feliz. As 3 mil sandálias Havaianas modelo Slick, as 500 bolsinhas de celular diárias do JB e as 900 necessaires contendo o rímel Doubel Extension da l'Oréal Paris acabaram antes do final do evento. As vendas no Fashion Business cumpriram todas as metas estipuladas - as oito empresas do consórcio Pau-Brasil, que fazem maiôs em Cabo Frio, atingiram US$ 600 mil em exportações, lojas portuguesas ficaram interessadas na coleção da Dona Bis, de Niterói e, mesmo quem não desfilou nas passarelas oficiais, conseguiu ser muito bem visto, como foi o caso dos jeans e georgetes plissados da Animale, que expôs as roupas em bonecas no salão do próprio Fashion Business. Quanto à eterna questão, qual o melhor, o Fashion Rio ou o São Paulo Fashion Week, é preciso aceitar que são cidades diferentes, com estilos diferentes. Desta vez, o Rio pode ter sido mais alegre, mais organizado, mais bonito. Na próxima estação, São Paulo pode superar. Os dois são válidos, por tratarem seriamente de moda, setor responsável pelo segundo maior número de empregos do país. À esquerda desta página, a lista dos que mais brilharam, feita com a ajuda de convidados e jornalistas de moda. De fato, é uma lista de melhores entre melhores, já que quem consegue entrar nesse tipo de evento, altamente seletivo, é sempre muito, muito bom. ::
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