O verão da leveza
Drapeados, flores e túnicas nas passarelas do Fashion Rio

:: Iesa Rodrigues

Elza Soares levantou a platéia anteontem, durante o desfile da Lei Básica, que fez parte do Fashion Rio, evento de moda que se encerrou ontem à noite, nos jardins do Museu de Arte Moderna. Acompanhada pela batida do percussionista Repolho, que dominou as congas, cantou Cidade maravilhosa, solfejou Jesus, alegria dos homens e prestigiou a coleção assinada por Ronaldo Fraga, usando vestido tomara-que-caia em patchwork de flores. A marca baseada no Espírito Santo alegrou também o dia, com as bermudas, vestidos, calças e camisetões masculinos feitos de pedaços de bandeiras de clubes de futebol, com entalhes metalizados.

Outra festa foi a apresentação da Complexo B, assinada por Beto Neves. Platéia superlotada, convidados sentados em almofadões à frente da primeira fila, há sempre uma predisposição à diversão nos desfiles da moda masculina de Beto. Desta vez, além dos modelos e atores, como Pedro Neschling, a passarela incluiu boas opções para vestir: as túnicas estilo cáftan, as camisas com palas de galões e as calças e bermudas desfiadas e esmerilhadas atendem à inspiração no deserto e vestirão bem na cidade. O toque ousado ficou por conta das calças jodhpur, de montaria.

Na Maria Bonita Extra, a elegância começou pela boca-de-cena com cortinas brancas esvoaçantes e o piso de parquê de madeira. A marcação teatral do diretor Alberto Renault aproximou as modelos da platéia, com paradas várias vezes, bem em frente aos convidados. A seleção de vestidos drapeados, levemente bufantes e a estampa em estilo Toile de Jouy, com desenhos de flores, promete repetir o sucesso dos florais da atual coleção de inverno, também criada por Andrea Marques. Um ponto importante são os laços e amarrados nas cinturas e abaixo do busto.

Fred d'Orey queria reproduzir a sensação da chegada ao aeroporto de Oahu, ou em um barzinho no sul da Bahia - a impressão de estar no Paraíso, em férias. Mas faltou emoção no seu desfile da Tótem, que encerrou a noite de terça. São bonitos os vestidos, saias amarradas e sandálias em estampa de pregadores em preto e branco; interessantes os chapeuzinhos e chapelões listrados; linda a estamparia de quadrados concêntricos, em tons de rosa, e oportuna a sugestão de uma volta às calças largas, como se o palazzo pijama dos anos 60 voltasse em versão balneário. Só podia haver um pouco mais de euforia na apresentação.

Existem expectativas em torno de algumas marcas. Todos esperam um show na coleção da Complexo B, surpresas da Tótem, performances da Virzi, bom humor na Lei Básica. Da Andrea Saletto Permanente, por exemplo, espera-se um estilo contemporâneo, sem loucuras. Já se sabe que o verde faz parte da cartela, que haverá um bom número de beges ou cáquis, e alguma estampa sóbria. Pois o desfile desta temporada cumpriu essas expectativas e ainda relançou o coutil, espécie de brim listrado com relevo, em casaquinhos, calças e shorts. O tema da estampa, que são folhas de palmeiras, aparece também em forma de recortes, no mesmo tecido e tons das saias rodadas.

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[1/JUL/2004]