A moda esculpida do verão
Encerramento dos desfiles tem a marca da ousadia e da sensualidade

:: Adriana Bechara

Jorge Cecílio
Adriane Galisteu

Adriane Galisteu encerrou o desfile da grife As Carmelitas

O último dia de desfiles no MAM foi marcado por nomes já lançados mas ainda desconhecidos do grande público. O efeito propagador foi imediato com novas imagens de moda para marcas antenadas como À Colecionadora, Zigfreda, Maria Fernanda Lucena, Lena Santana, OEstudio e Wendell Braulio. Também desfilaram As Carmelitas, de São Paulo, e a Miquelina, de Patrizia D-Angello. Wendell apresentou calças jeans com os bolsos vazados, onde apareciam cuecas listradas ao fundo.

Sempre ligado na cultura de rua, Wendell se inspirou no hip hop, com muitas correntes prateadas, lenços amarrados nas cabeças e sobrepostos por chapéus. O Estudio veio com a coleção intitulada Desfio, para apresentar peças de modelagem depurada e ao mesmo tempo desconstruídas. Maria Fernanda Lucena abusou de formas amplas e longas de vestidos e aventai.

A tão esperada Miquelina, de Patrizia D-Angello, foi na onda dos looks individuais para apresentar uma moda praia nova e diferente. Personagens como a atriz Virginia Cavendish e a estilista Layana Thomaz desfilaram de biquíni, mas a passarela era muito comprida e exigia a tarimba das modelos profissionais para dar ritmo ao desfile. As peças em acabamento de crochê e cores fortes teriam tido bem mais impacto com a edição de um stylist antenado.

Em seguida, Carla Gaspar e Karen Tognato de As Carmelitas deitaram e rolaram com vestidos ricos em adereços, acessórios e apliques que pareciam uma compilação do baú da vovó em reedição para o verão 2004/2005. A montação bonitinha carregava um ar de deboche chique. No encerramento, a supercelebridade Adriane Galisteu fechou a cena com vestido verde em detalhes cor-de-rosa. À Colecionadora, de Luiza Marcier conseguiu criar um conceito redondo para sua nova fase, só de vestidos em tecidos nobres como a organza e linguagem jovem e fresca, inspirada nas anotações e rabiscos de caneta bic. As modelos chegavam na ponta da passarela e pisavam em uma almofada de tinta. Em seguida, os solados das sandálias carimbavam a passarela com as letras da marca. Encerraram a noite, a veterana do couro Frankie Amaury e a moda praia da Rygy, de Regina Aragão, com concepção e direção de Gringo Cardia em clima de festa.

Já consolidado, o Fashion Business foi um sucesso não só nos negócios. O clima aprazível do restaurante de Écio Cordeiro de Melo, com jardim de inverno, alimentou também a alma dos fashionistas com músicas e mantras indianos. Os estandes da L-Oréal e do JB foram os mais concorridos. O primeiro, por causa das mãos mágicas do maquiador contratado Saulo Fonseca. O segundo, por causa dos quitutes Doce Delícia, dos móveis Stilo Ásia, do telão High End exibindo os desfiles simultaneamente, a recepção de Sergio Zobaran e dos brindes da Farm, de Cris Manhães e Neutrolab.

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[1º/JUL/2004]