Uma panorâmica da nova moda brasileira
Estilistas mostram a diversidade da produção nacional

:: Adriana Bechara

Um dos destaques do Rio Moda Hype, dentro da tenda do Fashion Business, foi o londrinense Ronaldo Silvestre. O estilista trouxe do Sul uma estética feminina e infantil que brincava com os volumes das saias, sobrepondo tecidos de cores e texturas diferentes. Na parte de cima, corseletes e cinturas marcadas. O look era arrematado por sapatos listrados bicolores. O make-up merece citação. Os cabelos em tranças envolviam uma tela rosa, remetendo a orelhinhas de rato. Humor e elegância contracenaram na passarela ao som de Tom e Jerry. Tudo redondinho. Ronaldo Silvestre é um nome a guardar.

Caren de Lucena começou com novas formas de coletes sobre malhas cor da pele, saias e casaquetos de trama rústica e sem bainhas. A cartela de cores poderia ter sido mais elaborada, mas as saias com forro de tule colorido animaram a platéia. Em seguida, Alexandre Martins explorou as cores fortes, a paisagem do Rio bordada de paetês e muitas saias de pontas em formas de babados, uma fórmula um pouco cansada para quem pretende trazer algo de novo para a moda. Em seguida, a dupla Amanda Mujica e Antonio Bokel se inspiraram nos cariocas que vivem entre o asfalto e a areia para trazer uma moda urbana com biquínis e sungas.

A Permanente, de Andrea Saletto, trouxe a atmosfera das férias para a moda do dia-a-dia com estampas tropicais. Peças esportivas como tops listrados e jaquetas de capuz se mesclaram a outras urbanas em tons cáqui. Batas e vestidos quebraram a caretice. A Permanente conseguiu ser duplamente chique prestigiando as costureiras da cooperativa Costurando Ideais, do Morro Dona Marta, que colaboraram na confecção das peças.

Em seguida, ponto para a mineira Drosófila, que trouxe formas ingênuas de babadinhos e bordados na cor creme casados com estampas alegres de florais e chitas. Quimonos e cintos japoneses arrematavam o look com o melhor sapato do verão: All Star de chita bordado de paetês. No final, uma onda levemente flower power remeteu a viagens lisérgicas com direito a arco-íris e borboletas rebordados de paetês. Um colírio.

A capixaba Lei Básica, com direção criativa de Ronaldo Fraga, fez um dos desfiles mais animados da semana. Enquanto Elza Soares se apresentava, as cores ganharam vida em um patchwork de estampas de camisas de times de futebol.

Ainda desfilaram Maria Bonita Extra, Complexo B e Totem. Hoje, é o último dia da semana carioca com Wendell Brasulio e Oestudio, a partir das 15h. Em seguida, Miquelina, de Patrizia D-Angello, Zigfreda, Lena Santana, Maria Fernanda Lucena, Carmelitas, À Colecionadora, Frankie Amaury e Rygy, com direção de Gringo Cardia.

No Galpão das Artes, o frisson ficou por conta do Jóia Brasil, evento idealizado por Ana Clara Herrmann, com as mais criativas peças de gente que faz das jóias uma arte. Lea e Esther Nigri propõem um colar que quase dispensa a roupa. Regatinha de malha resolve o look absurdo criado pelas irmãs. Outro destaque são as jóias de princesa que têm preços para as plebéias, assinados pela Giorno, de Rita Zecchin e Cristine Simonetti. A Natan, por Miriam Kimelblat, se reedita com anéis em ouro negro, pedras e cristais retangulares e de cores fortes. A Amsterdam Sauer propõe uma semipelerine em malha de ouro branco. Que tal? E ainda: Kamille Bernard, Cartier, Sara Jóias, Cookie Richers e superpérolas cor-de-rosa, Francesca Romana e Marzio Fiorini em versão crossover das sua joalheria de borracha com pitadas de joalheria de verdade.

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[30/JUN/2004]