Guarda-chuva da moda
Evento é elogiado por abrigar e integrar outras iniciativas

:: Iesa Rodrigues

Jorge Cecílio

UM AR romântico, com toque moderno, nas roupas da Cavendish

"A grande qualidade do Fashion Rio é servir como um guarda-chuva, integrando outros eventos sob a mesma sigla", define Eloysa Simão, diretora da Dupla Assessoria e responsável pelos grandes eventos cariocas de moda desde 1992.

E esta foi a edição que mais comprova o poder do tal guarda-chuva, já que há quem deixe de sentar nas confortáveis cadeiras das salas de desfiles para percorrer a pé (ou nos carrinhos da C&A) os caminhos que levam até o salão Jóia Brasil ou o Fashion Business. Este último, além de ganhar um visual alegre, combinando com a iluminação florida que enfeita a fachada do MAM à noite, ampliou o interesse geral graças à beleza das coleções – imperdível a série de bolsas e carteiras com tartarugas esculpidas, de Glorinha Paranaguá – e à realização dos desfiles de novatos, eleitos no concurso Rio Moda Hype.

Anteontem à noite, a Cavendish desfilou laises cáquis e pretas em vestidos e conjuntos com ar romântico mas com o toque moderno dos recortes e saias em nesgas, com direito a rendinhas debruando. Brigitte Bardot nos anos 60 poderia ser a musa da coleção e das 20 beldades que passaram na passarela, decorada com uma cerejeira em flor.

Marcella Virzi representa a ala performática da moda carioca. No inverno, fez um espetáculo operístico, com dramatização de tiros na sala. Desta vez, surgiu em cena o ator Gilberto Gawronski, vestido de terno com estampa de olhos e munido de uma tesoura gigante. As roupas agradaram às colunáveis, que aplaudiram de pé os bordados imitando tatuagem, completando sedas e crepes em tons teatrais como o roxo e o verde, ao som de Summertime.

"Isto é roupa para festa de entrega do Oscar", comentou a colunável Vera Bocayuva, impressionada com os longos em tie dye preto e branco sobre sutil estampa de oncinha.

Os mesmos tons de roxo, marrom e verde-escuro ganharam versões sensuais na coleção de Lenny Niemeyer. A inspiração taitiana resultou em maiôs recortados com emendas feitas com triângulos, duas peças com calças maiores, inspiradas em lingeries antigas – uma ousadia, em tempo de biquínis cavados – e belos drapeados que pareciam tangas das personagens dos quadros de Gauguin, fonte de criação da estilista.

O Rio acerta na escolha dos desfiles de encerramento de cada dia. Napoleão Fonyart deu uma aula de atualização, com a apresentação da Sandpiper, lá pelas dez da noite. Em pouco mais de 10 minutos, empolgou a platéia com o lote de homens e rapazes com olhos maquiados, lenços e cartolinhas na cabeça, coturnos pintados e muitas correntes prateadas sobre o torso em geral nu, descoberto pelas camisas desabotoadas. Mudou a marca, uma das mais básicas e casuais do estilo carioca? Nem tanto: o desfile provou que bastam alguns acessórios, música moderna e um elenco de acordo, para inovar um estilo. Claro, há modernidades como camisas listradas cortadas a fio, ótimas túnicas pretas bordadas, novas versões da estampa camuflagem em azul, para camisas, calças e bermudões. Até o mítico Paulo Zulu se incorporou ao visual, e demorou a ser reconhecido (e aplaudido) pela platéia, porque estava de lenço, chapeuzinho, olhos contornados de preto, calça listrada e sem camisa.

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[30/JUN/2004]