O 'Fashionzinho Rio'
Acaba nesta quarta o quinto Fashion Rio, que durante seis dias mostrou as coleções do verão 2004/2005 nos jardins do Museu de Arte Moderna. Na passarela, desfilaram estrelas internacionais, como Isabeli Fontana. Nas propostas dos estilistas predominaram verdes, folhas, tecidos puros de algodão e linho, desenvolvendo temas tropicais nacionais ou estrangeiros, lembrando de Ibiza ao Taiti. Na platéia, além das disputadas primeiras filas – onde se instala a imprensa especializada, próxima das convidadas colunáveis – destacou-se um contingente que cresce a cada edição do evento. São as garotinhas pré-adolescentes, verdadeiras miniaturas das modelos na passarela. Dominique Ellis, 6 anos, foi pela primeira vez a um desfile. A princípio tímida, hesitando em ser fotografada, logo ficou desenvolta, quando pôs-se a falar sobre o que tinha visto na passarela. Gostou da regata de abacaxi bordado e da saia de cetim verde, que viu na Santa Ephigênia, peças sofisticadas até para uma consumidora adulta. A pequena Dominique, que vestia calça da Zara e blusinha da Mixed, curte uma brincadeira especial com a mãe: toda semana, as duas olham juntas as revistas de moda, e cada uma escolhe a foto favorita. Correndo de um lado para o outro, com a vantagem do acesso livre aos camarins, um quarteto de meninas divertia a família na primeira fila da TNG. Mariana, 9 anos, Nicole, 8 anos, e as gêmeas Maria Fernanda e Maria Eduarda, também de 8 anos, vieram de São Paulo, mais precisamente do elegante condomínio de Alphaville, para assistir ao desfile do Tito Bessa. Lourinhas, cabelos soltos, eram um desfile à parte, com suas calças cargo da Linited, jaquetinhas Gap e até sapatilhas de biqueira, idênticas à cobiçada Chanel das mamães. Modelo favorita? Gisele Bündchen, claro. Acessório da hora? O cachecol de tricô listrado. Das quatro, só Maria Eduarda prefere um estilo mais clássico, e vestiu um sobretudo de lã bege-camelo – o ar-condicionado da sala Corcovado permitia mesmo muitos agasalhos. E mais não foi possível saber das gatas, porque o agito da chegada do jogador Ronaldo dispersou o quarteto. No limite da adolescência, Julia Malta, 11 anos, é assídua nas platéias. Já pensa em ser estilista e escolhe as próprias roupas desde os 6 anos. "Minha mãe vai junto, mas só para pagar", acrescentou, muito compenetrada, vestindo jeans e jaqueta da Gap e top da Whaat, na primeira fila da Sandpiper. Encerrou a entrevista, fazendo questão de dizer que Carlos Tufvesson
é seu estilista favorito. O uniforme de estilo destas garotas é a Gap.
Não por serem representantes de uma classe que viaja muito e prefere marcas
internacionais: a principal razão é a dificuldade de encontrar os tamanhos
certos com a informação de moda que este grupo de consumo exige. Acostumadas
com a avalanche de notícias na TV, jornais e revistas sobre as novidades
da moda e do mundo das modelos, as meninas da geração que os pesquisadores
chamam de “tweens” (abreviatura de “between”, que em inglês significa
“entre”, justamente porque elas estão entre a infância e a adolescência)
precisam adequar o jeito de vestir à falta de formas definidas do corpo.
E à vontade de seguir o que vêem nas passarelas e revistas. Daí, a musa
ser Gisele, que tem atitudes infantis nas campanhas da rede C&A e corpo
esguio, fácil de ser imitado pelas miniaturas, que copiam os cabelos longos,
as calças jeans com cós baixo, casaquinhos e batas soltas.
Poucas marcas de elite conseguem traduzir este estilo. Em São Paulo, a rede Handbook acerta no mix de camisetas, agendinhas, adesivos e acessórios de cabelos. "Estamos tentando reduzir a grade da coleção, chegando ao tamanho 36, porque recebemos muitos pedidos de meninas, loucas pelas peças mais em moda", diz Raquel Alt, da Shop 126, uma das marcas com sonhos de consumo das tweens cariocas. Apesar de saber que correm o risco de descaracterizar o estilo, muitas etiquetas adultas estão atentas ao poder de compra deste grupo que tem de 6 a 10 anos. As garotinhas já não seguem a vontade das mães, nem querem se vestir igual. A roupa não é o único objetivo das tweens. Elas querem ter os cabelos, peles e mãos iguais às de suas musas da moda. A pesquisadora Carolina Fernandes, que também trabalha como estilista de moda infantil no circuito Rio-SãoPaulo, detectou uma mudança na maneira das garotas paulistanas comemorarem seus aniversários. "Elas preferem trocar as reuniões em restaurantes e clubes por um dia inteiro, com o grupo de amigas, nos salões de beleza, para se divertir cortando cabelos, fazendo escova e unhas", contou Carolina, que para criar para esta turma antenada gosta de acompanhar os movimentos musicais internacionais. Hip hop, trance e o visual do Outkast estão entre as fontes de referência. Coincidência ou não, estas fontes também figuram entre as inspirações da moda adulta. ::
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