Estreantes brincam com as formas
Estilistas e manequins inovam nas apresentações e quebram regras preestabelecidas

:: Adriana Bechara

Jorge Cecílio

A Cavendish mostrou clima tropical e amazônico

Tanto as formas das roupas quanto as apresentações foram questionadas no quarto dia de desfiles no MAM. A paulistana Karlla Girotto, já reconhecida na cena fashion, estreou no calendário carioca em clima informal na manhã de ontem, no Jardim Copacabana. A performance começou com as modelos dormindo em camas exageradamente compridas, bem no meio do jardim. Enquanto isso, a estilista conversava com a imprensa e convidados, quebrando as regras preestabelecidas para mostrar uma coleção, como já havia feito na Galeria Vermelho, em São Paulo. As meninas acordaram com um despertador e saíram desfilando ao som de caixinha de música. O look era de boneca guardada. Cores como o verde chiclete, o pink e o vermelho davam vida a coleção, que teve sua máxima no vestido tomara-que-caia feitos com camisas vintage. A produção foi assinada pela agência Mint, de Vanda Jacintho e Luis Fiod, em uma atmosfera ''delícias do jardim''.


Na parte da tarde, cinco novos do Rio Moda Hype foram apresentados com o patrocínio da Prefeitura do Rio e o apoio do Sebrae, da Firjan e da Abit. Partindo da camisaria, Felipe Eiras foi fundo no trabalho de novas modelagens, com volumes e vazados. Apesar de o tema ser ''o do momento'', Felipe conseguiu dar sua leitura autoral e transmitir sua mensagem. Marciana Santos, de Volta Redonda, explorou o universo interiorano e brejeiro, com uma coleção feminina, fofa e rica em adereços e acessórios de frutinhas forradas de crochê. Em seguida, a Chiaro, de Felipe Fonseca e Gustavo Machado, trouxe meninos pops e sujos de graxa em algumas partes das peças propositalmente. Camisetas com o lema Garage, denotavam as intenções da dupla.Luciana Galeão foi atrás de mosaicos coloridos, mas exagerou na montagem das modelos e precisa aprimorar as modelagens. Athria Gomes se inspirou no universo de Debbie Harry, musa underground do glamrock para uma coleção divertida, com riscas-de-giz cor-de-rosa.

A mineira Coven, já veterana no evento, veio inovar e renovar, mais uma vez, os desejos de moda para a próxima estação. Em clima amazônico e superbrasileiro, exibiu uma coleção maximalista e de formas ousadas, com franzidos e balonês. Tons terrosos serviram de base para um jaqcard colorido, com formas de pássaros brasileiros, rebordadas de brilhos. O verde, como não podia deixar de ser, também foi forte e, às vezes, aparecia aplicado de brilhos no mesmo tom.

Em seguida, Victor Dzenk veio com a sua academia em festa. Eram leggings, tops e meias malhas mescladas que se misturavam com tecidos nobres e paetizados. Muitas sobreposições denotaram a ausência de peças fortes e só muita produção e montação conseguiram fazer o desfile funcionar.

Ainda desfilaram as marcas Cavendish, Virzi, Lenny e Sandpiper. Hoje, os desfiles começam a partir das 14h com mais quatro nomes do Rio Moda Hype na tenda do Fashion Business, seguido por Permanente de Andrea Saletto, Drosófila, Lei Básica, Maria Bonita Extra, Complexo B e Totem.

No estande JB, Sergio Zobaran recebia os convidados vips, regados a espumantes e vinhos Dal Pizzol. Para os abstêmios, suco de uva natural Do Lugar. A Farm distribuiu calças de algodão em modelagem única e unissex, supercotada entre os convidados. Na saída, todos assinaram no livro desenvolvido por Marcelle Hockensmith, especialmente para o estande JB no Fashion Rio. Um luxo!


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[29/JUN/2004]