Uma vitrine de surpresa e estilo Em matéria de estilo, cada participante surpreendeu com algo diferente, desde a graça do casual cintilante da grife catarinense Colcci, desenvolvido por Lila Colzani, ex-proprietária, ainda estilista depois de ter vendido a marca para o grupo AMC, da malharia Menegotti, de Santa Catarina. O jeans e a camiseta ganham um upgrade para visuais de luxo, graças ao trabalho de aplicações de cristais Swarovski nas batas e blusões rendados e estampados. As sereias de Paquetá, musas da Santa Ephigênia, também pareciam bem mais ricas do que as meninas que circulam na ilha carioca. Os longos listrados, com cintura marcada e as saias rodadas deram o recado da volta ao glamour dos anos 50 às colunáveis na primeira fila: Patrícia Mayer, Amelinha Meggiolaro, Claudine de Castro, Julinha Serrado, Fernanda Basto e Tanit Galdeano aplaudiram as criações de Marco Maia e Luciano Canale. A destacar, a lembrança de acrescentar cardigans preciosos à coleção - afinal, verão é tempo de ar condicionado. O couro como matéria-chave do ano inteiro é afirmação de Patrícia Viera, que seguiu os passos de Frankie Mackey e Amaury Veras, pioneiros que abriram caminho com a marca Frankie Amaury, a primeira a tirar o estigma de quente e rústico da moda em camurças, pelicas e chamois. Patrícia deslumbrou com chemises listrados, casacos de rosas bordadas, calças amarfanhadas, cardigans perfurados, jaquetas com bordados no forro do capuz. Detalhe: tudo feito em couro, do chamois que parece seda até o liso, tratado por processo que dá o visual amassado e toque macio. Isabeli Fontana, modelo catarinense de prestígio internacional, abriu a maioria dos desfiles de sábado. A Salinas não foi exceção. Ao som dos Filhos de Gandhi, o bloco-raízes de Salvador, a coleção intitulada Prece Profana mostrou que as praias cariocas e o catálogo da americana Victoria's Secrets, que costuma dar a capa para modelos da Salinas, serão lotados de borboletas, morangos, elásticos bicolores, xadrez vichy e estampa de oncinhas com golfinhos brilhando. Além do brilho dourado, agora admitido na praia, Jaqueline de Biase propõe a volta do biquíni com saiote, solução que pode parecer pudica para quem não viu o desfile e não sabe a sensualidade que o estilo tem. O livro A viagem de Théo, de Catherine Clements, com citações de curupiras, caiporas fumando pito, botos do Amazonas e tantãs da África, inspirou a segunda coleção de Walter Rodrigues desfilada no Fashion Rio. Misturando temas musicais de novela e batucadas, as roupas tiraram do espírito carnavalesco as saias curtas, os drapeados e os brilhos dos cristais White Opals e Violet Opal, da Swarovski cuidadosamente tramados nos trabalhos de crochê e inhanduti. A estamparia e o colorido, no entanto, são em geral em cartela sóbria, já que Walter usou tons acinzentados de azul e estampas em listras desencontradas em azul, cinza, amarelo e branco, que davam movimento nas saias com nesgas. Na complementação, se os sapatos anabelade tecido pareciam pesados, em compensação, os colares, braceletes e adornos de cabelo em prata com miçangas brancas, da cearense Sandra Rocha deram o toque afro falado no livro inspirador. Mas os curupiras e caiporas se esconderam, não estavam visíveis na passarela. Esta coleção deve fazer sucesso quando for desfilada em Paris, em outubro. Pode ser
coincidência, mas a campanha da cerveja Nova Schin, uma das patrocinadoras
do evento, que mostra o africano sedento atravessando a nado o oceano
em busca da bebida, tem muito a ver com a moda, já que o tema África
esteve presente em vários desfiles. |