SÃO PAULO - O ex-prefeito Paulo Maluf (PP) prometeu fazer amanhã uma declaração sobre o segundo turno das eleições paulistanas. Ele não confirmou, porém, se vai se manifestar favoravelmente à candidata Marta Suplicy (PT).
- Ninguém sabe se vou para a Marta, para o Serra ou se vou recomendar o voto em branco. Devo fazer minha opção na na sexta-feira - despistou Maluf.
Maluf, que foi indiciado terça-feira pela Polícia Federal sob acusação de cinco crimes, afirmou estar irritado com o PSDB, entre outras fatores, porque, para ele, foram os tucanos os responsáveis por divulgar à imprensa o dia, horário e lugar de seu depoimento.
Nos últimos dias do primeiro turno da campanha, o ex-prefeito não poupou José Serra (PSDB) de críticas. Chegou a afirmar que Maluf e o PT fizeram um pacto de não-agressão, fato que foi negado por ambos.
No primeiro turno, o ex-prefeito ficou em terceiro lugar, com 11,9% dos votos válidos. Pesquisa Datafolha divulgada no domingo apontou que 70% dos eleitores malufistas estão dispostos a votar em Serra no segundo turno.
A coordenação da campanha de Marta dá como certa a declaração pública de voto de Maluf e até já a deglutiu, mas em público vai continuar dizendo que quer apenas os votos dos eleitores malufistas. Já está decidido, por exemplo, que Maluf não aparecerá nos programas de rádio e TV da candidata. E, para o caso de o PSDB explorar o fato do ponto de vista negativo, o PT já prepara um antídoto: irá relembrar que em 1994 Mário Covas, então candidato ao governo do Estado contra Francisco Rossi (PDT na época), também aceitou o apoio do político do PP. A adesão foi anunciada na casa de Fernando Henrique Cardoso, eleito presidente no primeiro turno.
Ontem, na porta da fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, Marta interrompeu a entrevista que concedia e saiu em direção ao carro quando os jornalistas perguntaram sobre o polêmico apoio.
- Vocês dizem no jornal que não adianta ele apoiar, porque o voto de quem o escolheu no primeiro turno não vem. Não sei por que estão tão preocupados com isso - afirmou o candidato a vice na chapa do PT, Rui Falcão.
Petistas próximos à coordenação de campanha não acreditam que uma eventual adesão pública faça Marta perder votos entre os eleitores que não gostam do ex-prefeito.
Ainda ontem, Serra voltou a defender a revisão total das taxas municipais e o fim da taxa do lixo, em campanha na região do São Mateus, tradicional reduto petista.
- Vamos revisar cada uma das taxas -prometeu, sem detalhar como. No caso da taxa do lixo ele afirmou que planeja abolir.
Serra, no entanto, disse que não tomará medidas de ''afogadilho'' e aproveitou para atacar a prefeita Marta Suplicy.
- Não vamos fazer nada de afogadilho, como foi feito agora com a taxa de motoboy. Criaram a taxa de motoboy, depois a eliminaram. De duas, uma: ou tem que reconhecer que foi um absurdo criar, ou admitir que foi eleitoralismo.
Folhapress