Tucanos e petistas trabalham pela paz

Sérgio Pardellas

BRASÍLIA - O segundo turno consolidou a primeira etapa das eleições municipais com o PT e o PSDB equilibrando o peso político no país. Para analistas e líderes partidários fica clara a polarização das duas forças com vistas às eleições de 2006. De um lado os tucanos, ensaiando uma composição com o PFL, numa eventual chapa Geraldo Alckmin (PSDB) e César Maia (PFL), e do outro o PT, procurando consolidar alianças com o PTB e o PMDB.

Mas apesar de a derrota da prefeita Marta Suplicy em São Paulo ter praticamente sepultado uma aproximação para as próximas eleições presidenciais entre tucanos e petistas, a retomada do diálogo entre PT e PSDB, a exemplo do que ocorrera durante a votação da reforma da Previdência no Congresso, é firmemente defendida por líderes dos dois partidos.

Um sinal de bandeira branca deve ser emitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias, quando receber, no Palácio do Planalto, o prefeito eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). Entre os petistas, trabalham pelo armistício pós-eleitoral com os tucanos o governador do Acre, Jorge Viana, o prefeito reeleito em Belo Horizonte, Fernando Pimentel, o vice líder do governo na Câmara, deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) e o líder do PT na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP). No PSDB, o caminho do entendimento é visto com bons olhos pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves e pelo o líder do PSDB na Câmara, Custódio Mattos (MG).

- Aproximação para 2006 não, mas diálogo sim. Nos moldes do que ocorreu, por exemplo, durante a votação da Reforma da Previdência. Vamos propor uma linha de diálogo para discutir as questões nacionais. Temos que esquecer as eleições. Política não é batalha - propôs o líder tucano, deputado Custódio Mattos.

O líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, comunga do mesmo pensamento. Para ele, ao contrário do que dizem alguns tucanos, a refrega política entre os dois partidos foi acirrada há dois anos pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e não pelo PT:

- Sempre defendemos um diálogo e continuamos defendendo. Quem chamava a gente de neobobos era o presidente Fernando Henrique - disse.

No PT, contudo, o grande entrave para um cessar fogo entre os dois partidos seria o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que controla a máquina partidária - garantem petistas ligados a ele.

- Para Dirceu, a vitória em 2006 e até em 2010 passa por essa divisão de forças. PT de um lado e PSDB de outro. Não é à toa suas declarações sempre delimitando esses dois campos antagônicos - afirmou um deputado com trânsito na Casa Civil.

Já o PMDB, para 2006, vive o eterno dilema entre ser ou não governo. Como em 1998, as duas alas antagônicas do partido voltam a medir forças. No próprio partido, contudo, há quem atribua a reação anti-governista ao lado fisiológico do PMDB, interessado em tornar-se a noiva preferencial do PT em 2006 indicando o candidato a vice. Nesse caso, teria de disputar a vaga com o fiel PTB, do deputado carioca Roberto Jefferson, presidente nacional da legenda.

- Crescemos nas eleições municipais e queremos crescer ainda mais para marchar com Lula em 2006. Se possível como aliado preferencial - admitiu o líder do PTB na Câmara, José Múcio (PE).

[ 02/11/2004 - 06:20 ]


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