José Antônio Severo e Caio Cigana
PORTO ALEGRE - O rompimento da hegemonia petista no Rio Grande do Sul viveu – depois de perder o governo do Estado, em 2002 – mais um capítulo ontem, com as derrotas do PT nas três principais cidades do Estado, Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas. A vitória mais expressiva foi do ex-senador José Fogaça (PPS), que destronou o reinado de 16 anos do PT na capital, uma posição considerada imbatível até as pesquisas começarem a mostrar a supremacia da oposição este ano.
Com 53,32% dos votos, contra 46,68% de seu adversário, o deputado e ex-prefeito Raul Pont, a vitória dessa frente indica também a consolidação de uma nova grande liderança no Estado, a do senador Sérgio Zambiazi, do PTB, que foi o esteio das forças que sustentaram a candidatura do PPS.
Essa vitória também põe em xeque a posição do PT como partido majoritário no Estado. A hegemonia política no Rio Grande do Sul dividia-se entre o PT, que tem a maior bancada partidária na Assembléia Legislativa, e o leque de partidos originários do antigo MDB, que controlam o governo do Estado, mas estavam fora das grandes prefeituras. Além da capital, o PT perdeu as prefeituras de Caxias do Sul, reduto do patriarca do PMDB gaúcho, senador Pedro Simon, e do governador Germano Rigotto.
O PT perdeu Caxias – controlada há oito anos pelo primo-irmão do governador, o prefeito Pepe Vargas – ao eleger-se o candidato do PMDB, deputado estadual José Ivo Sartori. E em Pelotas, onde o PT não conseguiu reeleger o prefeito Fernando Marroni, derrotado pelo candidato do PPS Bernardo de Souza.
Os resultados do segundo turno no Rio Grande do Sul foram conseqüência de forte campanha antipetista, reunindo todas as forças políticas contra o partido do presidente da República, num Estado em que, como candidato, Luiz Inácio Lula da Silva venceu todas as eleições que disputou.
As vitórias de três candidatos apoiados pelo PMDB, que controla o governo estadual coloca o governador Germano Rigotto em posição de vantagem para sua reeleição em 2006. No entanto, a tradição eleitoral do Estado sempre deu a vitória dos candidatos da oposição ao governo do Estado.
Alguns dos resultados de ontem surpreenderam. Em Porto Alegre, a pesquisa de boca de urna do Ibope apontou para um empate, mas as urnas acabaram dando uma vantagem de sete pontos ao candidato José Fogaça. Também em Pelotas, o candidato petista, prefeito Fernando Marroni, foi para as urnas com uma pesquisa que lhe dava vitória de sete pontos percentuais sobre seu adversário.
Em Caxias do Sul, o candidato do PMDB surpreendeu e conseguiu virar a eleição na reta final. Com 97% das urnas apuradas, o candidato José Ivo Sartori (PMDB) teve 52.43% dos votos válidos, vencendo a petista Marisa, com 47.57%. A vitória não era esperada. Segundo pesquisa Cepa/UFRGS realizada em 27 de outubro, Marisa tinha 46,4% das intenções de voto, contra 44% de Sartori.
O resultado representa vitória para o governador gaúcho Germano Rigotto, do PMDB. Sartori, que teve seu apoio, conseguiu tirar o PT da administração da cidade, hoje administrada por Gilberto Vargas (PT).