Dirceu descarta risco à reeleição

SÃO PAULO - O chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que a vitória dos tucanos em São Paulo não prejudica a possível tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva daqui a dois anos.

- Eleição municipal não pesa na eleição nacional. Fernando Henrique Cardoso disputou duas eleições (1994 e 1998) sem ter São Paulo, sem ter as principais cidades do país, e venceu. Isso é fato - disse o ministro após votar na Zona Sul da capital paulista.

A declaração foi feita antes mesmo de começar a apuração. Um exemplo citado pelo PT é o do próprio tucano José Serra, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 96, com o apoio do então presidente Fernando Henrique, mas ficou em terceiro.

A avaliação entre interlocutores próximos do presidente Lula era de que a vitória de Serra deve inviabilizar qualquer diálogo ou tentativa de acordo político entre o PSDB e o governo federal. Até a renegociação da dívida, ponto chave para a nova administração municipal, entrou no debate político entre as siglas.

Antes de o resultado da eleição ser divulgado, integrantes do governo federal já diziam que ''não há diálogo nem acordo político-programático'' com os tucanos.

Para a cúpula do PT e do governo, a vitória de Serra antecipa desde já a disputa eleitoral de 2006, quando haverá uma ''guerra'', segundo um interlocutor do presidente, na eleição que irá escolher o presidente e os governadores.

- Vamos ver como ele estará até maio - disse um ministro de Lula, durante café-da-manhã no comitê eleitoral da prefeita Marta Suplicy.

A afirmação é uma referência ao mês em que a relação dívida/receita corrente líquida da prefeitura paulistana deverá estar em 178% para que seja cumprida a legislação vigente. Esta relação está hoje em cerca de 230%, e especialistas não vêem como atingir a meta sem uma mudança nos termos do contrato da dívida da prefeitura com a União. Marta Suplicy disse que, se vencesse, sentaria com o governo para conversar.

- O Brasil não aceita mais um prefeito que entra e faz oposição ao governo federal. Ele (Serra) está achando que é fácil administrar São Paulo? - questionou um integrante do governo federal.

O flagrante feito pela Polícia Federal do publicitário Duda Mendonça, marqueteiro de Marta, numa rinha de galo às vésperas da eleição e as denúncias que surgiram neste ano contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram exemplos usados pelos petistas para ilustrar o clima belicoso entre as legendas.

Oficialmente, o discurso é moderado.

- A oposição pode esperar uma relação respeitosa. O governo dará (a ela) o mesmo tratamento que dá a sua base - afirmou Aldo Rebelo, ministro da Coordenação Política.

- A eleição municipal tem pouco a ver com a seguinte - completou Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça.

Em novembro, o presidente Lula deverá participar de encontro com prefeitos eleitos de capitais e das principais cidades do país em Brasília.

Para a cúpula do governo, Geraldo Alckmin, governador paulista, é o nome tucano que sai mais fortalecido para a disputa presidencial em 2006 em razão da eleição de Serra. Em contrapartida, o senador Tasso Jereissati (CE) e o governador mineiro, Aécio Neves, teriam se enfraquecido no partido por não terem conseguido eleger seus candidatos.



[ 01/11/2004 - 01:12 ]


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