Coisas do Brasil: Quando baixar o fogo das urnas
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Alexandre Carauta
Editor do Jornal do Brasil
Eleição também é festa, e como tal carrega
o vírus do torpor. Suspende o tempo, subverte prioridades.
Inflama. Salvo as baixarias que se perpetuam sob o fermento do assistencialismo
renitente e das brechas fugidias à Justiça, é
saudável a adrenalina. Oxigena o jogo democrático
sem o qual um país submerge. Mas o carnaval das campanhas
não constitui, ou não deveria constituir, licença
para matar o trabalho. Sobretudo se deste trabalho dependem nossas
cabeças.
Desde a debandada
parlamentar rumo às festas juninas regionais, no meio do
ano, o Congresso arrasta-se. Anestesiadas pelo pacto ao gazeio e
pelo congestionamento de medidas provisórias, votações
empacam. Perigam ficar para o ano que vem. Como uma troca de carro,
nova dieta ou a viagem sonhada.
Quando o tácito
feriadão terminar e o Legislativo voltar à batalha,
supostamente dia 9 de novembro, terá pouco tempo e muita
esgrima para tirar o atraso. Pesarão sobre os ombros do governo
as faturas - e fraturas - forjadas nas urnas municipais.
Desatar a pauta
e costurar canais para a apreciação de projetos importantes,
eis o desafio amplificado pelo ego oposicionista insuflado por triunfos
na geografia política, ressentimentos que aliados amealharam
ao longo da rinha eleitoral e pelo xadrez velado com que é
jogada a reeleição das Mesas. Brumas espessas, de
cuja dissipação depende a abertura de janelas ao crescimento.
A areia dos
investimentos em infra-estrutura - imprescindíveis ao salto
da economia, como sabem até os bebês - esvai-se à
medida que seguem represadas votações como as alusivas
às atribuições das agências reguladoras,
às Parcerias Público-Privadas e à Lei de Falências.
Alimentam a perspectiva de dirimir gargalos que obstruem o caminho
para a maior envergadura produtiva e econômica.
Baixada a febre
eleitoral, cumpre arregaçar as mangas do entendimento para
agilizar a viabilidade de interesses centrais ao avanço do
país. Ou a conta do feriadão e das refregas partidárias
ficará indecente. E todos sabem quem paga.
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