Coisas do Brasil: Sobra política, falta educação
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Ana Maria Tahan
Editora Executiva do Jornal do Brasil
Semi-alfabetizados ou com formação acadêmica
limitada ao ensino fundamental incompleto, quase um terço
dos vereadores eleitos em 3 de outubro ocupam, a partir do ano que
vem 15.003 das 51.819 cadeiras nas Câmaras Municipais. Apenas
16,5% possuem curso superior completo.
Retratam o Brasil
que tenta pagar, no século 21, uma dívida educacional
que se arrasta desde o desembarque da família imperial, quando
ao povo cabia apenas curvar-se e aos nobres, o exercício
do mando. Se faltam aos parlamentares municipais a familiaridade
com livros e conhecimentos de raiz quadrada, sobram a afinidade
com a população que representam e o carisma dos líderes.
Ninguém
conquista votos sem virtudes ou sabedoria para interpretar os anseios
de comunidades. O fato de manusearem com dificuldade palavras impressas
ou conhecimentos precários de geografia e história,
não impede os vereadores com precária frequência
escolar de representar bem aqueles que os colocaram em gabinetes,
humildes ou suntuosos, de casas legislativas.
O que vale a
pena destacar nos dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral
é o débito do país com seus habitantes. Investimentos
em educação são, e continuarão a ser
para todo o sempre, fundamentais para se formar um país melhor
e mais preparado para disputar em igualdade com nações
melhor aparelhadas o espaço no planeta. Não basta
apenas garantir o acesso ao ensino da nova geração.
É preciso investir naqueles que ainda pagam o preço
da falta de dedicação de governos com a área
por anos e anos.
E, nessa caso,
situam-se especialmente os 93 prefeitos que sabem apenas ler e escrever,
os 650 que nem terminaram o ensino fundamental e os 1.443 que fizeram
a façanha de completar o curso médio. E se transforma
no maior desafio dos 2.243 que chegaram às universidades
e ostentam o diploma de curso superior completo. É nas cidades
que se formam as novas gerações, em escolas pequenas
e com educadores dedicados. E cabe a prefeitos e vereadores pagar
o débito do passado. Ensinando os adultos que se perderam
dos bancos escolares.
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