Coisas do Brasil: O incrível circo das alianças
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Rodrigo Alves
Editor de País do Jornal do Brasil
Pobre do carioca, que precisou entrar em férias eleitorais
para ver a campanha esquentar às margens da capital. Pobre
também de quem mora no interior, onde o calor da disputa
municipal veio acompanhado de um desprezo escancarado por qualquer
ideologia política. Depois de um primeiro turno morno, com
lampejos esporádicos de emoção em alguns municípios,
eis que, de repente, o circo pega fogo.
Não
chega a ser uma surpresa. O tiroteio que ilustra a batalha do segundo
turno apenas devolve ao campo uma bola chutada há muito tempo,
bem antes do início da campanha. Nas esquinas do Rio, qualquer
portador de galhardete sabe que a eleição deste ano
gira em torno de um embate maior, pessoal e semideclarado entre
Cesar Maia e Anthony Garotinho.
Eliminada
a gordura da primeira fase, a reta final virou terra de ninguém.
Cesar reforçou o apoio aos adversários do PMDB em
Niterói, Nova Iguaçu, Campos e Duque de Caxias. Garotinho
foi ainda mais longe e ceifou a candidatura de Moreira Franco, sacrificando
o quinto maior colégio eleitoral do Estado para ganhar fôlego
no interior.
No
meio do fogo cruzado, o PDT se apequena cumprindo um papel patético.
Mesmo enfraquecido após a morte de Leonel Brizola, o partido
conseguiu se infiltrar no segundo turno em municípios importantes.
No entanto, ameaça perder o pouco prestígio que lhe
resta quando começa a se diluir em alianças que só
reforçam o jogo de poder entre dois caciques.
Sem
a resistência ranzinza do caudilho, falta ao PDT um nome forte
capaz de bater pé e impedir certos movimentos. Poderia até
ser Miro Teixeira, que pulou do barco e perdeu a grande oportunidade
de ter uma sigla inteira só para ele. A vaga aberta deixa
Garotinho com olho grande, mas, enquanto o acordo não sai,
o ex-governador trata de conquistar as prefeituras que lhe credenciam
para o pleito de 2006.
A
pedra no sapato, como sabemos há muito tempo, chama-se Cesar
Maia, outro que pensa dois anos adiante. Cheio de si por ter embolsado
a capital no primeiro turno, o prefeito parte agora para o interior
e ameaça até fazer campanha na casa do adversário,
subindo no palanque do PDT em Campos. Quando esse dia chegar, aí
sim o circo vai pegar fogo.
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