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Dia do Trabalhador, dia de pensar: há o que comemorar,
do ponto de vista da renda?
ADHEMAR
S. MINEIRO
Economista e técnico do DIEESE
Neste 1º de Maio vale a pena aproveitar o dia
e a temática do feriado, que homenageia a todos nós
trabalhadores, para refletir um pouco: o que tem acontecido
com a renda dos trabalhadores brasileiros nestes últimos
anos?
Os
dados da pesquisa da Fundação SEADE e DIEESE para a
Região Metropolitana de São Paulo, área que concentra
o maior percentual da população trabalhadora do país
servem um pouco para ilustrar esta situação, e para
orientar as idéias desta curta reflexão.
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POSIÇÃO
NA OCUPAÇÃO
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Rendimento
Médio Anual (Em reais de Novembro de 2000)
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Variações
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1995
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1999
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2000
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2000/1999
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2000/1995
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R$
1020
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R$
931
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R$
874
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-6,1
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-14,3
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Os
números ilustram uma queda no rendimento médio dos assalariados
de 14,3% desde 1995 até o ano passado, sendo que uma
queda de 6,1% apenas entre 1999 e 2000. Essa queda continuava
a acontecer ao longo de 2001, pelo menos de acordo com
os dados disponíveis até agora (para os dois primeiros
meses do ano, no mesmo sítio eletrônico na rede). Isto
quer dizer que, do ponto de vista da renda, os trabalhadores
não teriam muito a comemorar.
Os
dados mostram, entretanto, uma pequena redução do desemprego
ao longo do último ano. De acordo com os números e a
metodologia da PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego)
a taxa de desemprego na mesma Região Metropolitana de
S. Paulo caiu de 18,4%, em Março de 2000, para 17,3%,
em Março de 2001-ou seja, a fase expansiva em que entrou
a economia nacional desde o segundo semestre de 1999,
embora não tenha contribuído para a melhoria da renda
dos trabalhadores, teve impacto sobre o desemprego.
Entretanto, esta fase expansiva parece estar encontrando
limites agora, quer pelo impacto do próprio crescimento
sobre as contas externas, quer pelas incertezas externas
e da política interna, afetando a taxa de câmbio e as
taxas de juros. Assim, aparentemente novos freios devem
manter a economia brasileira na trajetória de aceleração-desaceleração
que vem mantendo desde 1995, o que pode resultar na
reversão da melhoria na situação do emprego que pode
ser contatada na último período-a ver o que nos mostram
os números dos próximos meses.
Um
dado positivo é, visualizando a tabela, o crescimento
do rendimento médio dos trabalhadores domésticos e assalariados
sem carteira assinada entre 1995 e 2000. Embora tenha
havido recuo no rendimento médio destes trabalhadores
entre 1999 e 2000, o saldo dos últimos cinco anos ainda
é positivo. Uma observação que se faz necessária é que
esses salários tem em geral o valor do mínimo como uma
referência para a sua fixação. Assim, isto pode indicar
de alguma forma que políticas de elevação do salário
mínimo podem ter impacto importante no aumento do rendimento
médio dos trabalhadores. De fato, se considerarmos que,
segundo a PNAD/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios) cerca de 50% dos trabalhadores brasileiros
tem rendimentos até dois salários mínimos (com uma diferenciação
regional importante, pois esse número cai para 40% no
Sudeste e sobe para cerca de três entre quatro trabalhadores
no Nordeste), uma quantidade expressiva de trabalhadores
pode ser afetada por uma política de aumentos reais
do salário mínimo (informações mais detalhadas sobre
questões relativas ao salário mínimo podem ser encontradas
em DIEESE, “A Questão do Salário Mínimo”, disponível
em http://www.dieese.org.br).
Crescimento continuado da economia e uma política consistente
de elevação real do salário mínimo parecem elementos
importantes para melhorar essa situação difícil que
podemos constatar neste Primeiro de Maio. Mas esse tipo
de política parece hoje limitado pela opção por um modelo
macroeconômico onde são reforçados o desequilíbrio externo
e as restrições fiscais. Enquanto permanecer esse quadro,
restará pouco o que comemorar aos trabalhadores.
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