Desemprego melhora no Brasil,
com exceção do Rio de Janeiro

ADRIANA BITTENCOURT
Especial para o JB Online

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), João Sabóia, estuda as estatísticas do mercado de trabalho há anos e, apesar de se mostrar otimista com a melhora do emprego no Brasil, se disse preocupado com os rumos que isso irá tomar.

Os resultados das pesquisas de Sabóia mostram, em linhas gerais, uma situação muito diferenciada entre as seis regiões metropolitanas do país e os indicadores seguindo o ciclo da economia brasileiro. ’Os indicadores pioram no início da década, depois apresentam uma melhora na recuperação da economia, em 1993 e 94, com o Plano Real e, em 1998, começam a regredir.’ analisou.

O último estudo do professor sairá na próximo boletim de conjuntura do Instituto de Economia da UFRJ e mostra que apesar do ano 2000 ter sido um bom ano, com considerável recuperação da economia, ainda faltam muitas coisas.

"O índice de 4% é suficiente na economia brasileira para reduzir o desemprego no Brasil. O PIB se relaciona com a taxa de desemprego da seguinte maneira: Nos anos em que o PIB foi superior a 4%, a taxa de desemprego diminuiu nas seis regiões metropolitanas. Se você tiver 4,5% do crescimento da economia, o desemprego cai cerca de 0,5%. Apesar de ser um número aproximado, esse estudo deu certo durante todos esses anos. Como esse ano a perspectiva é de um crescimento em torno de 4,5%, a expectativa é de um desemprego menor, afirmou.

Os dados de João Sabóia mostraram também que, de 1999 para 2000, a síntese do mercado de trabalho melhorou em todos os estados, com exceção do Rio de Janeiro, com défcit de cerca de 0,5%.

"Um dos fatores que mais me preocupa é o da formalidade que, na década de 90, caiu bastante. O que mais se calcula é o emprego aberto, incluindo todos os ocupados, mesmo informais. Hoje em dia, tem muita gente fazendo bico e trabalho temporário, o que leva a crer que analisar o mercado de trabalho apenas pela taxa de desemprego, é simplificar muito o seu estudo e empobrecer muito seus dados. Se o emprego diminui e a informalidade aumenta, você tem uma coisa boa e outra ruim, acaba não valendo a pena, concluiu Sabóia.

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