Pinochet recebeu aliados em casa
Ex-ditador golpista Augusto Pinochet recebe ajuda de aliados durante cerimônia privada /AFPSANTIAGO DO CHILE - Os grupos aliados ao regime militar que se instaurou no Chile há 30 anos também participaram ontem de atos comemorativos paralelamente às manifestações oficiais celebradas pelo governo em homenagem ao presidente deposto, Salvador Allende.

Durante todo o dia, ex-ministros e ex-colaboradores de Pinochet visitaram o ex-ditador. O atual comandante-em-chefe do Exército, general Juan Emilio Cheyre, ex-militares, alguns parlamentares, prefeitos alinhados à direita, além de amigos pessoais também foram cumprimentar o general reformado.

Perguntado sobre as homenagens do governo a Allende, o presidente do grupo direitista Chile Minha Pátria, o general Rafael Villarroel, disse:

- A partir de amanhã, o presidente Ricardo Lagos deverá começar a governar para todos os chilenos.

O ex-ministro do Interior de Pinochet e atual senador pela direitista União Democrática Independente (UDI), Sergio Fernández, disse ser necessário ''olhar para frente, deixando o passado para trás''.

Durante a visita a sua casa, o ex-ditador entregou aos dirigentes da Fundação Augusto Pinochet a faixa presidencial que usou a partir de março de 1981.

Ao fim de uma breve cerimônia, o presidente da fundação, Hernán Briones, agradeceu a atuação das Forças Armadas no 11 de setembro de 1973 e nos 17 anos seguintes de regime militar.

- Agora somos o país mais sólido da América Latina. Despertamos inveja em muitos países, graças ao trabalho de reconstrução que fez o regime militar - declarou Briones.

A mulher de Pinochet, Lucía Hiriart, falou em nome do antigo governo e explicou o sentido da entrega da faixa, usada por seu marido desde que entrou em vigor a atual Constituição, aprovada em 1980 num plebiscito.

- Fazemos isso porque acreditamos que a fundação tem um compromisso com a história. Os que fazem parte dela são patriotas, pessoas que querem um Chile unido, sem rancores nem revanches, mas também um Chile em que a história não tenha rodeios - disse a mulher do ex-general.

Pinochet, que tem 87 anos e uma saúde profundamente debilitada, levantou-se pela única vez de seu assento e, apoiado em uma bengala, entregou a faixa a Briones, que agradeceu ao ex-ditador ter liderado ''o pronunciamento militar que mudou a cara deste país''.

- Guardaremos esta faixa como uma recordação inesquecível, como deve ser - disse o presidente da Fundação Pinochet.

Em Roma, Marco Antonio Pinochet, filho caçula do ex-ditador, disse que seria ''inútil'' um pedido de desculpas de seu pai pelos excessos cometidos pelo regime militar.

- O Chile deve esquecer. Não servirá de nada que meu pai peça desculpas agora. Diriam que é muito tarde, que não são verdadeiras, que é uma imposição - declarou ele ao jornal italiano La Stampa.


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