Lembranças de dor e perplexidade
Emoção marca cerimônia pelos mortos em 11 de setembro
Parentes lembraram vítimas no Marco Zero  / AFPNOVA YORK - Os sinos badalaram ontem de um lado a outro de Nova York e observaram-se minutos de silêncio. Em cerimônias emocionantes, o mundo relembrou as mais de 3 mil pessoas mortas nos atentados ao World Trade Center, ao Pentágono e na queda de um quarto avião sequestrado na Pensilvânia em 11 de setembro de 2001. À noite, refletores coloridos iluminaram o céu de Manhattan simbolizando as duas torres.

Em Nova York, o local onde desabaram os 220 andares recebeu milhares de parentes e amigos das vítimas, alguns levando flores e retratos de seus entes queridos. A celebração, que durou mais de três horas, foi aberta por hinos tocados em gaitas de fole.

No palanque, os filhos das vítimas leram em voz alta os nomes dos mortos. Dentre eles, os de três brasileiros: Anne Marie Sallerin Ferreira, Sandra Fajardo Smith e Ivan Kyrillos Barbosa. Três 3 mil crianças perderam pai ou mãe nos ataques. Muitas se emocionaram na hora da leitura.

Os sinos tocaram às 8h46 para assinalar o momento em que o primeiro avião atingiu uma torre e às 9h03, quando o segundo avião bateu. Depois, novamente, às 9h59 e às 10h29, quando os prédios desabaram.

- É uma dor muito grande -, disse a dominicana Carmen García, que vive no Brooklyn. Ela assegura que ''o sentimento piora a cada dia'' quando lembra da filha de 21 anos, cujos restos nunca foram encontrados.

Em Washington, o presidente George W. Bush compareceu a uma cerimônia religiosa ao lado do vice, Dick Cheney. Bush não discursou, preferindo afirmar que era um dia de orações e reflexão e que deverá ser conhecido, daqui para a frente como um ''Dia Patriótico''. No Pentágono, 20 mil pessoas fizeram silêncio às 9h37, momento do ataque.

Também não houve discursos em Londres, onde a princesa Anne depositou uma flor no memorial para as vítimas construído em Grovernor Square. Houve ainda celebrações em Berlim, Sydney e Praga.

As emoções em Nova York ainda estão à flor da pele, com a maioria dos habitantes ainda temerosos de outro ataque e os parentes de algumas vítimas irritados com os planos de reconstrução no lugar das torres. Alguns parentes também reclamam que a perda de seus entes queridos foi usada para justificar guerras no Afeganistão e no Iraque.

O dia não foi só de lembrança, mas de alertas em torno da ameaça representada pela rede Al Qaeda e seu líder, Osama Bin Laden. Ontem, o Departamento de Estado dos EUA avisou seus cidadãos no estrangeiro para o risco de que a rede cometa atentados terroristas ainda 'mais devastadores' que os de 2001.

Paralelamente, prosseguem os esforços para identificar se são realmente Bin Laden e seu vice, Ayman al Zawahri, que aparecem nas fitas de áudio divulgadas quarta-feira. Houve confirmação para a voz de al Zawahri, mas a CIA ainda não tem certeza de se tratar de Bin Laden.


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