Véspera de aniversário de 30 anos do golpe
de Estado é marcada por medo e explosões de bombas
SANTIAGO DO CHILE - A explosão
de algumas bombas e falsos alarmes de atentados tornaram o
ambiente tenso no Chile ontem, na véspera do 30º aniversário
do golpe militar que derrubou o governo do socialista Salvador
Allende.
Fontes policiais confirmaram que uma bomba
de média potência causou danos numa loja do grupo Sodimac
Homecenter na cidade de Temuco, a 672 quilômetros ao Sul
de Santiago.
Lançada na noite de anteontem, outra bomba
danificou a fachada da Prefeitura de Recoleta, ao Norte
da capital. Duas ameaças de bomba foram recebidas através
de telefonemas anônimos à prefeitura da cidade onde está
enterrado o corpo de Allende. Perto de uma delegacia policial,
agentes de segurança desativaram um artefato explosivo.
O prefeito de Recoleta, Gonzalo Cornejo,
esteve no centro de uma polêmica nos últimos dias por sua
decisão de fechar no próximo domingo o Cemitério Geral,
para impedir assim uma passeata programada por familiares
das vítimas da ditadura até o Memorial dos detidos desaparecidos
e executados políticos.
Cornejo, da oposição de direita, baseou
sua decisão nos distúrbios e destruições que costumam ocorrer
neste tipo de manifestações e apresentou um recurso de proteção
nos tribunais, para garantir que a Justiça assegure a medida.
Em Santiago, a polícia teve de agir na Praça
da Constituição, em frente ao Palácio de La Moneda (sede
do governo), ao descobrir aos pés do monumento a Salvador
Allende um pacote suspeito, que foi submetido a uma explosão
controlada.
O comandante Arturo Vargas, do Grupo de
Operações Especiais (Gope) da polícia, explicou que ''foi
encontrado em um dos lados do monumento um pacote suspeito'',
que foi aberto ''mediante um detonação controlada''.
Também foram recebidos vários avisos falsos
de bombas na sede da Defensoria Pública, no centro da capital
chilena, e em um campus da Universidade do Chile situado
em Pintana, na área Sul da cidade.
O ministro do Interior, José Miguel Insulza,
pediu para a população manter a tranqüilidade e assegurou
que as bombas ''só causaram barulho'' e que aparentemente
se trata de ações de grupos isolados ''que atuam sem coordenação
e só para chamar a atenção''.
O porta-voz Francisco Vidal reiterou que
o governo pode garantir a tranqüilidade pública hoje ''tanto
para aqueles que desejarem participar das homenagens como
para aqueles que desejam ter uma jornada normal''.
- Até agora só ocorreram coisas muito pequenas
- disse Vidal, acrescentando que acredita que a situação
não sairá de controle.
Autoridades informaram que pelo menos 27
mil policiais uniformizados serão mobilizados em todo o
Chile e estarão em alerta e disponíveis para controlar eventuais
incidentes. Este contingente é o maior dispositivo organizado
nos últimos cinco anos e envolve praticamente todas as forças
compostas por cerca de 30 mil homens.
Ontem, a Justiça chilena ratificou o processo
da escritora chilena Mariana Callejas, ex-agente do aparelho
de repressão da ditadura, como autora do homicídio do ex-chefe
do Exército Carlos Prats, ocorrido em 1974, em Buenos Aires.
A resolução foi adotada de forma unânime
pela Terceira Vara da Corte de Apelações de Santiago do
Chile, que também manteve a reclusão de Callejas no Centro
de Orientação Feminina.
A ex-agente foi processada no dia 1º de
setembro pelo juiz especial Alejandro Solís, que também
processou no mesmo caso o coronel aposentado do Exército
Cristophe Willike. Tanto Callejas quanto Willike eram agentes
da Direção de Inteligência Nacional (DINA).