Vítimas lembram seqüelas do exílio

SANTIAGO DO CHILE - O aniversário de 30 anos do golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet tem uma importância ainda maior para os cerca de um milhão de chilenos que deixaram o país logo depois de 11 de setembro de 1970, fugindo da repressão militar.

Às vésperas do marco histórico que completa três décadas na próxima quinta-feira, jornalistas, escritores, cientistas sociais e todos os demais chilenos que representavam alguma ameaça ao regime pinochetista foram obrigados a deixar o país e se privaram de sua cultura e identidade.

- Para nós que vivemos prisão, torturas físicas e psíquicas, entendemos que o exílio foi pior. Que as marcas que deixou são profundas, permanentes, porque agora entendemos que o exílio não termina - explicou o antropólogo José Manuel Lira, que após dois anos de prisão foi exilado e recebido como refugiado das Nações Unidas na Áustria.

Segundo ele - que ficou na Áustria até 1985, quando foi permitida a volta ao Chile - revelou num artigo, no exílio foram muitos os casos de suicídio, de neuroses e de frustração. Os filhos dos exilados viveram desde cedo os problemas pessoais do desterro.

- O exílio destrói quem passa por ele, que vive na sombra. O exilado estará sempre voltando para sua terra, mesmo depois de regressar - enfatiza Lira, que em 1991 foi reincorporado à carreira de antropologia na Universidade do Chile, e em 1994 recebeu seu título.

Desde o princípio, o regime militar de Pinochet usou o exílio como parte de sua estratégia para desenhar um novo mapa político e eliminar assim suas tradições políticas anteriores.

A maioria das embaixadas em Santiago começou a oferecer proteção diplomática, e a alguns dias antes do bombardeio do Palácio de La Moneda mais de 3.500 chilenos já tinham se refugiado principalmente nas representações da Itália, do México, da França, da Argentina, do Panamá, dos Países Baixos, da Venezuela e da Suécia.

No dia 11 de janeiro do 2001, o presidente Ricardo Lagos finalmente enviou ao Parlamento uma reforma da Constituição para restituir a nacionalidade a cerca de 800 mil chilenos que moram no exterior, parte significativa deles exilados durante a ditadura. Os votos da oposição de direita, no entanto, ainda impedem esta reforma.

[07/SET/2003]


SETEMBRO DE 1973
CHILE

Fórum do leitor
O governo chileno deveria punir os responsáveis pelo golpe militar de 73?

Imagens
11 de setembro de 1973


SETEMBRO DE 2001
EUA

Fórum do leitor
A luta dos EUA contra o terrorismo prejudicou o equilíbrio entre a segurança e a proteção das liberdades civis?

Imagens
11 de setembro de 2001

Infográficos
Como foi o atentado
Os terroristas mais procurados pelo FBI


SETEMBRO DE 2002
RIO

Fórum do leitor
Qual deve ser o modelo de sistema penitenciário no Brasil?

Imagens
11 de setembro de 2002

Infográficos
Rebelião em Bangu I