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SANTIAGO DO CHILE - Um grupo de mães
e mulheres de presos desaparecidos durante a última
ditadura chilena começou ontem um jejum de 72 horas
para pedir justiça e expressar sua rejeição a um plano
oficial para resolver problemas de direitos humanos.
- Jejuamos para pedir justiça, que é
um direito inalienável de todos os seres humanos, jejuamos
porque o país esquece seu passado e não tem futuro -
afirmou Lorena Pizarro, presidente do Grupo de Familiares
de Detidos Desaparecidos (AFDD) ao começar a ação. -
Jejuamos porque jamais aceitaremos a impunidade, jejuamos
com a força que nossos entes queridos e seus sonhos
nos dão, mutilados mas não vencidos.
Uma médica que acompanhará as mulheres
durante o jejum, que se prolongará até o próximo domingo,
advertiu que a ação pode ser perigosa para elas, por
se tratar de pessoas idosas.
A AFDD se juntou assim à greve de fome
que desde o último dia 18 de agosto é mantida por três
filhos de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet, que
consideram que o projeto do governo implica em impunidade.
A proposta do governo aumenta as ajudas
sociais e econômicas aos parentes das vítimas e inclui
como beneficiárias as famílias dos militares mortos
por grupos armados. Também oferece imunidade a ex-repressores
que colaborarem com a Justiça e não tenham tido responsabilidade
de comando, e rebaixamentos de penas para aqueles que
as tiveram.
Atualmente existe cerca de 120 ex-repressores,
em sua maioria do Exército, processados ou condenados
em primeira instância em aproximadamente 180 julgamentos
no Chile.
[JB, 05/SET/2003]
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