Comando Vermelho toma Bangu I
Por ordem de Fernandinho Beira-Mar presidiários ligados ao CV eliminaram quatro rivais da facção Amigos dos Amigos
A briga entre facções criminosas no interior da penitenciária de segurança máxima Bangu 1, na Zona Oeste, impôs luto a pelo menos 20 bairros do Rio, deixou os cariocas assustados e colocou em xeque a autoridade do Estado. Até as 23h30 de ontem, traficantes da facção Comando Vermelho mantiveram oito reféns e mataram quatro traficantes do grupo rival, o Amigos dos Amigos (ADA). Entre eles, Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê.

A rebelião de 11 de setembro de 2002 foi a primeira na penitenciária de Bangu 1 desde que a unidade, apontada como de segurança máxima, foi inaugurada, em julho de 1988. Às 8h30, os traficantes Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, se aproveitaram do início da revista diária para render dois agentes penitenciários e roubar as chaves das celas. A ação estava planejada pela cúpula do CV desde janeiro.

Na ocasião, o chamado conselho da facção, formado também por Isaías Costa Rodrigues, o Isaías do Borel, preso em Bangu 3, e por Odair Marlon Duarte, o Aldair da Mangueira, decidiu pela revolta. Os motivos: o primeiro seria a intenção dos líderes e de Beira-Mar de fazer do CV a única facção a dominar o comércio de drogas no Estado. O outro seria uma vingança pela morte do preso Oséas Gonzaga, o Mau-Mau, do Morro da Mineira. Ele foi morto com um tiro no ano passado por integrantes da facção Terceiro Comando, aliada da ADA, dentro de sua cela.

Após renderem os agentes e mais quatro funcionários de uma obra, os criminosos seguiram até a galeria D, onde estariam os traficantes da ADA: Uê, um dos rivais de Fernandinho na distribuição de drogas no Estado, além de Wanderley Soares, o Orelha, e Carlos Roberto da Costa, Robertinho do Adeus, integrantes de sua quadrilha e que foram presos em abril. Os três, junto com Marcelo Lucas da Silva, o Café, foram assassinados.

Armados com duas pistolas, uma escopeta e uma granada, retiradas do paiol de Bangu 1, Fernandinho e outros bandidos fizeram de refém Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, do ADA. O traficante foi espancado e obrigado a falar ao celular com Isaías do Borel, que está em Bangu 3. Chorando, Celsinho disse, após a morte do amigo Uê, que passaria a integrar o CV. O preso Elpídio Rodrigues Sabino, também da galeria D, foi esfaqueado. O domínio sobre a unidade fez os traficantes colocarem uma bandeira vermelha numa das guaritas de Bangu 1.

O comando da PM decretou estado de alerta nos batalhões. À noite, o subsecretário de Integração Operacional, Carlos Augusto Leba, o comandante-geral da PM, Francisco Braz, e três delegados da Polícia Civil negociavam a libertação de seis reféns. Cerca de 1.500 policiais faziam a segurança externa do presídio. Um agente penitenciário e um operário foram libertados às 19h.

A Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco) abriu inquérito criminal para apurar a responsabilidade sobre a fuga. O diretor da unidade, Ricardo Couto, foi demitido e os 12 agentes que estavam de plantão na manhã do dia 11 foram afastados. ''Houve corrupção, conivência e crime'', disse o então secretário de Segurança, Roberto Aguiar.


SETEMBRO DE 1973
CHILE

Fórum do leitor
O governo chileno deveria punir os responsáveis pelo golpe militar de 73?

Imagens
11 de setembro de 1973


SETEMBRO DE 2001
EUA

Fórum do leitor
A luta dos EUA contra o terrorismo prejudicou o equilíbrio entre a segurança e a proteção das liberdades civis?

Imagens
11 de setembro de 2001

Infográficos
Como foi o atentado
Os terroristas mais procurados pelo FBI


SETEMBRO DE 2002
RIO

Fórum do leitor
Qual deve ser o modelo de sistema penitenciário no Brasil?

Imagens
11 de setembro de 2002

Infográficos
Rebelião em Bangu I