Nova York sob medo e recessão
Cidade está US$ 17,6 bilhões mais pobre do que estaria caso não tivesse havido o atentado
Paco González
EFE
NOVA YORK - Dois anos depois dos atentados contra as Torres Gêmeas, os habitantes da Big Apple aprenderam a viver com a sensação de ser um alvo iminente de terroristas, o que acabou deteriorando sua economia e alterando seu estilo de vida.

A ferida provocada pelo 11 de setembro continua aberta em Nova York, não só pela presença do grande buraco que o desmoronamento do World Trade Center abriu, mas pelo impacto que este fatídico dia teve no ânimo e nos bolsos de seus habitantes.

Segundo um relatório publicado há alguns dias, Nova York se encontra em uma profunda recessão econômica desde 2001, o que diminuiu o peso desta grande metrópole no conjunto da nação americana. Nova York está US$17,6 bilhões mais pobre do que estaria caso os atentados de 11 de setembro não tivessem acontecido, segundo uma estimativa publicada há alguns dias pelo fiscal dos gastos da cidade, William Thompson.

A esta quantia, que inclui muitas demissões e a queda do turismo, somaria outros US$9 bilhões de perdas, que ocasionou a debilidade da bolsa desde setembro de 2001. No total, são US$26,6 bilhões que Nova York teria a mais caso a economia da cidade tivesse crescido no mesmo ritmo que a atividade, a nível nacional, desde os atentados de 11 de setembro.

Mas, apesar de o dano econômico ser o mais fácil de calcular, não foi o único impacto sentido pela cidade, que teve de lidar com os efeitos físicos perniciosos do desmoronamento das Torres Gêmeas. Um estudo elaborado pelo Hospital Monte Sinai revelou que as mulheres que passaram a gravidez nas zonas próximas do chamado ''marco zero'', deram à luz bebês pequenos, como conseqüência da exposição à fumaça e à poeira que a área emanou durante meses depois dos ataques.

Dois anos depois dos atentados, ainda perdura o medo de novos ataques, diante da constatação de que a cidade se tornou alvo de terroristas. Uma pesquisa do jornal Daily News, publicada em função do segundo aniversário dos atentados, revela que 61% dos nova-iorquinos, dois em cada três, acreditam que um novo atentado ainda é possível de acontecer na cidade.

O resultado da pesquisa mostra que a cidade dinâmica, despreocupada e pulsante, que brilhava com luz própria antes do 11 de setembro de 2001, se tornou uma metrópole temerosa e mais solidária, que vive o dia-a-dia com um certo receio de que aqueles incidentes, no qual morreram quase três mil pessoas, se repitam.

E assim ocorreu durante o apagão do dia 14 de agosto, que deixou às escuras oito milhões de habitantes da cidade e fez renascer a sensação de caos que surgiu após os atentados. De qualquer jeito, os que viveram o antes e o depois do 11 de setembro concordam que Nova York está tentando conseguir uma ''nova normalidade'', onde a superficialidade e a inocência de antes deu lugar a uma certa sensação de vulnerabilidade, patriotismo e solidaridade.

[07/SET/2003]


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