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O
preço de cada vida perdida
NOVA YORK – Entre as muitas e cruciais tarefas que surgiram
após os atentados, poucas requerem tanto tato ou beiram
tanta polêmica quanto a de pôr preço nos mortos. Como comparar
o valor de uma criança com o de um aposentado de 80 anos
ou de um recém-formado em início de carreira? Por que a
vida de um jovem investidor valeria US$ 3 milhões e a de
sua secretária, US$ 300 mil?
O homem encarregado pelo governo de exercer o papel de Salomão
moderno se chama Kenneth Feinberg, responsável pelo Fundo
de Compensação às Vítimas de 11 de Setembro. Nos últimos
nove meses, a vida de Feinberg tem sido dedicada a encontrar
soluções racionais para um assunto cercado de agonia emocional.
– Eu me encontrei com parentes das vítimas e há muitos deles
que, mesmo vários meses após os ataques, mal conseguem segurar
a caneta para preencher os formulários – conta.
Até o dia 20 de agosto foram ao menos 700 reivindicações
de compensação. Dessas, apenas 25, entre US$ 300 mil e US$
3 milhões, foram concedidas. Segundo Feinberg, a lenta resposta
à oferta de ajuda federal se deve aos traumas derivados
dos ataques.
– As pessoas ainda estão chorando – constata ele.
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