1991-2004
Na mudança do século, o JB retoma o seu crescimento

A década de 90 foi marcada pelo agravamento da crise empresarial do Jornal do Brasil. O cerco que começou nos anos 70, com os governos dos generais militares, teve conseqüências dramáticas para a empresa. Paralelamente, as Organizações Globo, apoiadas em redes de televisão, rádios, revistas e jornais, pressionaram anunciantes para asfixiar a empresa com o objetivo de excluí-la do mercado publicitário. O endividamento cresceu e o jornal virou o século em situação financeira extremamente difícil.

Apesar dos problemas o Jornal do Brasil continuou refletindo, nas páginas, as enormes transformações que representaram a consolidação do processo democrático no Brasil. Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o país, o Rio de Janeiro e o mundo foram presenças permanentes nas páginas, com informações criteriosas e análises detalhadas dos acontecimentos que transformaram o Brasil e o mundo política, social e economicamente.

A década de 90 foi marcada por mudanças profundas nos meios e formas de comunicação. O advento da internet redesenhou o universo da difusão de informações e ajudou a moldar os contornos do mundo globalizado.

Simultaneamente a profundas mudanças políticas ocorridas no planeta, como o desmoronamento do império soviético e a formação da Comunidade Européia, sacudiram o Brasil transformações originadas nos últimos anos do século 20.

Apesar da crise empresarial o Jornal do Brasil não perdeu conteúdo nem a relação permanente com os acontecimentos. Em 1999, conquistou o Prêmio Esso de Fotografia com a imagem de Marco Terranova de adultos e crianças, deitados no asfalto, à beira da orla, assustados com um tiroteio. E foi a primeira publicação brasileira a lançar seu conteúdo na internet, em 1995. Os testes de mercado começaram em fevereiro e, já em maio, não só passava a publicar a edição diária integral, mas também fez com que o endereço eletrônico JB ON LINE conquistasse vida própria.

Outra grande iniciativa do Jornal do Brasil, em decorrência da dificuldade financeira, ocorreu no final da década. Por conta da crise, mas premido pela necessidade de acompanhar o que havia de mais moderno, o jornal terceirizou integralmente sua impressão e parte da distribuição com o jornal O Dia. Para qualquer publicação diária brasileira, era uma idéia impensável até aquele momento. Hoje, é tema corrente na imprensa do pais, na busca de uma equação mais competitiva para os custos.

Em 2001, procurando soluções para assegurar a permanência no mercado e garantir o futuro da instituição, os acionistas do JB arrendaram, por 60 anos, a marca Jornal do Brasil à CBM, Companhia Brasileira de Multimídia. A companhia Docasnet, do empresário Nelson Tanure, acionista majoritário da CBM, assumiu a administração da nova empresa. Iniciou-se então um esforço de revitalização empresarial e editorial ainda hoje em curso, começando pelo retorno à Avenida Rio Branco 110, no Edifício Conde Pereira Carneiro – local em que o jornal construiu sua história.

O Jornal do Brasil conseguiu retomar a trajetória de crescimento, sendo o único dos grandes diários brasileiros a não perder circulação no último ano. O feito foi resultado do lançamento de novos produtos, como as revistas JB Ecológico, Vida, Glam, do Caderno H, colunas como a de Márcia Peltier, Hildegard Angel, Ricardo Boechat e Augusto Nunes e mudanças gráficas pontuais, inclusive no título do jornal.

Em fevereiro de 2003, começou a circular a edição diária do Jornal do Brasil em Brasília. Em janeiro deste ano, foi lançado o JB Barra, caderno voltado para a região da Barra da Tijuca, um dos pólos de crescimento do Rio, por intermédio da sucursal do jornal montada naquele bairro.

Em fevereiro de 2003 morreu Manuel Francisco do Nascimento Brito, depois de meio século de presença no comando do Jornal do Brasil. Os atuais responsáveis pela empresa, em sintonia com os novos tempos, estão certos da necessidade de conduzir a publicação e manter o título com a mesma altivez com que o jornal escreveu a sua história.

  Edições históricas do período