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A
década de 90 foi marcada pelo agravamento da crise empresarial do
Jornal do Brasil. O cerco que começou nos anos 70, com os governos
dos generais militares, teve conseqüências dramáticas para a empresa.
Paralelamente, as Organizações Globo, apoiadas em redes de televisão,
rádios, revistas e jornais, pressionaram anunciantes para asfixiar
a empresa com o objetivo de excluí-la do mercado publicitário. O endividamento
cresceu e o jornal virou o século em situação financeira extremamente
difícil.
Apesar dos problemas o Jornal
do Brasil continuou refletindo, nas páginas, as enormes transformações
que representaram a consolidação do processo democrático no Brasil.
Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o país,
o Rio de Janeiro e o mundo foram presenças permanentes nas páginas,
com informações criteriosas e análises detalhadas dos acontecimentos
que transformaram o Brasil e o mundo política, social e economicamente.
A década de 90 foi marcada por mudanças
profundas nos meios e formas de comunicação. O advento da internet
redesenhou o universo da difusão de informações e ajudou a moldar
os contornos do mundo globalizado.
Simultaneamente a profundas mudanças
políticas ocorridas no planeta, como o desmoronamento do império
soviético e a formação da Comunidade Européia, sacudiram o Brasil
transformações originadas nos últimos anos do século 20.
Apesar da crise empresarial o Jornal
do Brasil não perdeu conteúdo nem a relação permanente com os
acontecimentos. Em 1999, conquistou o Prêmio Esso de Fotografia
com a imagem de Marco Terranova de adultos e crianças, deitados
no asfalto, à beira da orla, assustados com um tiroteio. E foi a
primeira publicação brasileira a lançar seu conteúdo na internet,
em 1995. Os testes de mercado começaram em fevereiro e, já em maio,
não só passava a publicar a edição diária integral, mas também fez
com que o endereço eletrônico JB ON LINE conquistasse vida própria.
Outra grande iniciativa do Jornal
do Brasil, em decorrência da dificuldade financeira, ocorreu
no final da década. Por conta da crise, mas premido pela necessidade
de acompanhar o que havia de mais moderno, o jornal terceirizou
integralmente sua impressão e parte da distribuição com o jornal
O Dia. Para qualquer publicação diária brasileira, era uma idéia
impensável até aquele momento. Hoje, é tema corrente na imprensa
do pais, na busca de uma equação mais competitiva para os custos.
Em 2001, procurando soluções para
assegurar a permanência no mercado e garantir o futuro da instituição,
os acionistas do JB arrendaram, por 60 anos, a marca Jornal
do Brasil à CBM, Companhia Brasileira de Multimídia. A companhia
Docasnet, do empresário Nelson Tanure, acionista majoritário da
CBM, assumiu a administração da nova empresa. Iniciou-se então um
esforço de revitalização empresarial e editorial ainda hoje em curso,
começando pelo retorno à Avenida Rio Branco 110, no Edifício Conde
Pereira Carneiro – local em que o jornal construiu sua história.
O Jornal do Brasil conseguiu
retomar a trajetória de crescimento, sendo o único dos grandes diários
brasileiros a não perder circulação no último ano. O feito foi resultado
do lançamento de novos produtos, como as revistas JB Ecológico,
Vida, Glam, do Caderno H, colunas como a de Márcia Peltier, Hildegard
Angel, Ricardo Boechat e Augusto Nunes e mudanças gráficas pontuais,
inclusive no título do jornal.
Em fevereiro de 2003, começou a circular
a edição diária do Jornal do Brasil em Brasília. Em janeiro
deste ano, foi lançado o JB Barra, caderno voltado para a região
da Barra da Tijuca, um dos pólos de crescimento do Rio, por intermédio
da sucursal do jornal montada naquele bairro.
Em fevereiro de 2003 morreu Manuel Francisco do Nascimento Brito,
depois de meio século de presença no comando do Jornal do Brasil.
Os atuais responsáveis pela empresa, em sintonia com os novos tempos,
estão certos da necessidade de conduzir a publicação e manter o
título com a mesma altivez com que o jornal escreveu a sua história.
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