Com o final da Segunda Guerra e a derrota dos países do Eixo e, no front interno, com o fim do Estado Novo, as eleições gerais e a promulgação da nova Constituição pela Assembléia Constituinte de 1946, a sensação de se estar vivendo um novo tempo, de mudanças e democracia, no Brasil e em todo o mundo, era uma realidade.
Durante o governo Dutra, o Jornal do Brasil prosseguiu em sua trajetória de jornal popular, mantendo o destaque dos anúncios classificados em suas primeiras páginas.
A Guerra Fria começava a se estabelecer no cenário internacional. No Brasil, em 1950, após a tragédia da perda da Copa do Mundo para o Uruguai em pleno Maracanã, o povo levava Getúlio Vargas de volta ao poder com ampla maioria de votos.
No início do mesmo ano, morria o diretor do Jornal do Brasil, José Pires do Rio, principal defensor da predominância dos classificados no jornal. Logo após, o conde Pereira Carneiro, por motivo de saúde, se afastou da direção da empresa, vindo a falecer em fevereiro de 1954. Quarenta dias depois, sua viúva, Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, a Condessa, como ficou conhecida, assumiu o lugar do marido.
Desde o início de sua gestão, a Condessa contou com a colaboração de seu genro, Manuel Francisco do Nascimento Brito - que fizera um curso para editores na Universidade de Columbia e estava à frente da Rádio Jornal do Brasil desde 1949 - e do acadêmico e ex-jurista Aníbal Freire, com longa experiência na empresa.
Por intermédio de Nascimento Brito, o jornal adquiriu novos equipamentos gráficos, com os recursos técnicos necessários para sua modernização. A condessa Pereira Carneiro, também convencida de que o jornal precisava mudar para assegurar a sua sobrevivência, viajou aos Estados Unidos em busca de novas idéias.
Após o segundo governo de Vargas e seu suicídio, o Brasil atravessava um período de renovação, com a ascensão de Juscelino Kubitschek à Presidência, em 1956, com um governo voltado fortemente para a industrialização e o desenvolvimento. O país vivia a expectativa de ganhar uma nova capital e, na cultura, sopravam os novos ventos dos primeiros filmes de Nelson Pereira dos Santos e dos primórdios da Bossa Nova.
Em sintonia com esta nova realidade, o Jornal do Brasil, já estruturado como empresa, começou também o seu processo de mudança. Em junho de 1956 foi lançado o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, criado pelo poeta Reynaldo Jardim, que alcançou grande repercussão com a sua forma neoconcretista e seu conteúdo inovador, que misturava artes plásticas, literatura, ciência e outros assuntos e onde escreveram Mário Faustino, Ferreira Gullar, os irmãos Augusto e Haroldo de Campos e Mário Pedrosa, entre outros nomes ilustres de nossa literatura.
O SDJB foi o embrião do futuro Caderno B, lançado em setembro de 1960, que foi o primeiro caderno da imprensa brasileira exclusivamente dedicado a variedades e passou a ser o modelo para os segundos cadernos e cadernos culturais editados em todo o País desde então.
Em 1957, em continuidade ao seu processo de reformulação, a direção do Jornal do Brasil convidou Odylo Costa Filho, que trouxe com ele uma equipe de jovens jornalistas, que trabalhavam no Diário Carioca e na Tribuna da Imprensa, da qual faziam parte Jânio de Freitas, Carlos Lemos, Wilson Figueiredo e Amílcar de Castro, entre outros, que imprimiram ao jornal um estilo mais leve e agressivo ao mesmo tempo.
O espaço do noticiário aumentou, o número de páginas também, a opinião do jornal e o uso de fotos passaram a ter grande destaque. Em 1958, Odylo deixou a casa, junto com alguns companheiros, mas a mudança do Jornal do Brasil prosseguiu.
No aspecto gráfico, Amílcar de Castro, artista plástico mineiro, introduziu muitas inovações, eliminando os fios, implantando a diagramação vertical e valorizando os espaços brancos das páginas. Em junho de 1959, pela primeira vez, a primeira página do jornal saiu com os classificados em L, concretizando a nova realidade do jornal.
A reforma editorial, gráfica e industrial do Jornal do Brasil foi a mais abrangente e importante que um jornal experimentou em nosso país, tornando-se uma referência e influenciando de forma decisiva o jornalismo brasileiro feito a partir daí. Na palavra de um de seus mentores, Nascimento Brito, ''um processo de modernização, que terá sempre continuidade''.