1931-1945
Classificados retiram política da primeira página
''Jornal das Cozinheiras'': alternativa para sair da crise financeira"

Arquivo JB

11/11/1937

O governo Vargas havia iniciado no ano anterior com a Revolução de 30, que derrubou o governo de Washington Luís e pôs fim à chamada República Velha. Em 1931, depois do Jornal do Brasil ter ficado fechado em consequência da invasão de simpatizantes da Revolução, o Conde Pereira Carneiro muda a chefia da redação. Anibal Freire, comprometido com o governo deposto, é susbstituído por Jânio Pombo Brício, que mantinha um bom relacionamento com o governo de Getúlio Vargas. Sempre dentro da linha de moderação, o Jornal do Brasil não demonstrava simpatia pelo Governo Provisório de Getúlio Vargas, mas, discretamente, manteve cautela. Em 1932, o jornal que até então vinha fazendo algumas críticas ao governo Getúlio Vargas, se solidariza aos paulistas, e apóia a Revolução Constitucionalista – um dos mais importantes acontecimentos da história política brasileira ocorridos no Governo Provisório de Getúlio.

Foram três meses de combate entre opositores e simpatizantes do Governo Provisório. Apesar da derrota dos rebeldes, a revolta paulista alertou o Governo Provisório que as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte não mais podiam esperar, o que aconteceu no ano seguinte, culminando com a nova Constituição de 1934. O Conde Pereira Carneiro ingressa no Partido Autonomista do Distrito Federal e se candidata à Constituinte – o Jornal do Brasil foi então o veículo de divulgação da plataforma autonomista. Em 1934, chegou ao fim o chamado Governo Provisório e apesar do apoio do jornal à nova Constituição, ao governo de Getúlio o jornal continua a ter críticas.

A crise financeira, sofrida no começo da década, ainda não estava sanada. Surge na história do Jornal do Brasil, José Pires do Rio como diretor-tesoureiro e com a incumbência de reorganizá-lo financeiramente. Com amplos poderes, Pires do Rio desagrada Aníbal Freire, que já estava novamente no jornal. Para ele o Jornal do Brasil deveria ser um boletim de classificados – só assim conseguiria sair da crise. Os fatos políticos passaram a ter menos destaque, assim como as artes e a literatura. As primeiras páginas do jornal eram inteiramente dedicadas aos anúncios. O jornal ganha o apelido pejorativo de "jornal das cozinheiras".

Mesmo assim, todos os fatos políticos – e o período foi intenso, estiveram presentes nas páginas do jornal. Ainda moderado, mas bem mais conservador, o jornal não apoiou a Intentona Comunista de 1935, e simpatizou com a Lei de Segurança Nacional, do mesmo ano. O golpe que instaurou o Estado Novo em 1937, foi visto pelo jornal como uma alternativa viável para a crise política, embora não concordasse com a continuidade de Getúlio no poder, tendo apoiado a candidatura de Armando Sales Oliveira à presidência da República.

Durante a ditadura de Vargas - período do Estado Novo de 1937 a 1945, o jornal adota uma política de cordialidade com o governo e com sua política. Vargas implementou, pela 1ª vez na História do país, uma abrangente política de direitos sociais e trabalhistas, alguns destes antigas reivindicações das classes populares brasileiras, amplamente divulgadas por um aparato de propaganda de massas realizado pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Tendo sido somente cordial, moderado, muitas e muitas vezes contrário, outras tantas a favor, ao governo, o Jornal do Brasil defendeu o não continuísmo da Era Vargas. Pires do Rio, que ainda era diretor, tinha ligações com o candidato oposicionista Eduardo Gomes, e o jornal apoiou a candiatura, assim como a deposição de Vargas. Era o fim de uma era, só que seria a primeira, – ele estaria de volta em 1950.

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