1916-1930
Pereira Carneiro muda o rumo do jornal
Depois de popular, com o Conde surge um moderado jorna

Arquivo JB

Pereira Carneiro assume a direção do jornal e traça novas diretrizes

A Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, trouxe o encarecimento excessivo de vários produtos no Brasil. Um deles, o papel, matéria-prima do jornal, fez com que a crise financeira do Jornal do Brasil se avolumasse. Em 1919, sem condições de resgatar a hipoteca feita ao Conde Pereira Carneiro,o Jornal do Brasil passou para as suas mãos, deixando de ser dos irmãos Mendes, proprietários desde 1894. É hora de mudar.
Durante os quinze anos da gestão dos irmãos Mendes, o jornal voltou-se para as questões populares, muitas vezes sensacionalistas. Com a chegada do Conde Pereira Carneiro , o Jornal do Brasil tinha como objetivo reencontrar as suas melhores tradições sem se afastar da verdade. Ao assumir, o Conde pediu prudência e moderação à sua equipe – o jornal não poderia se envolver em campanhas que representassem risco financeiro. O Conde, graças ao seu talento de empresário, sabia o que era o jornalismo moderno.

As campanhas de interesse público continuaram, mas com uma preocupação especial na maneira de conduzi-las e apresentá-las em uma linguagem elevada. Aos colaboradores de renome que já faziam parte da redação do jornal, somaram-se figuras de prestígio nos meios intelectuais, como Anibal Freire e Barbosa Lima Sobrinho, que escreveu no Jornal do Brasil por quase oitenta anos, tendo começado em 1921, vindo de Pernambuco, aos 24 anos.

Apesar da moderação e da neutralidade impostas na gestão do Conde Pereira Carneiro, todos os fatos – e o período era de grandes mudanças políticas, econômicas e sociais – , estiveram presentes nas páginas do Jornal do Brasil como: a morte do presidente recém-eleito Rodrigues Alves, em 1919, e a posse do seu vice Delfim Moreira, que ao deixar o governo após oito meses concedeu entrevista exclusiva ao jornal; a posse de Epitácio Pessoa, em 1919; a Revolta do Forte de Copacabana, em 1922 e a Semana de Arte Moderna, em 1922. A primeira travessia aérea do Atlântico Sul realizada por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, culminado com a chegada ao Rio, em 17 de junho de 1922, mereceu edição especial de 11 mil exemplares, todos vendidos a cem réis cada um.

Ainda em 1922, apesar da posição de neutralidade, o Jornal do Brasil, apoiou discretamente, a candidatura de Nilo Peçanha. Com a vitória de Arthur Bernardes, surgiu uma aproximação do governo, feita por Anibal Freire, em 1924, que na época era diretor do jornal, e foi nomeado ministro da fazenda do novo governo. A Revolução paulista de 1924 também foi coberta pelo jornal. A partida de futebol Vasco e Fluminense, em 1923, traz para a primeira página do jornal, inovando, uma foto de esporte.

Em 1926, ainda na linha editorial adotada por Pereira Carneiro, de discrição, o Jornal do Brasil apoiou a candidatura de Washington Luís à presidência da República. Com a vitória, o apoio continuou, inclusive quando a oposição ao novo governo foi ganhando força com a candidatura oposicionista de Getúlio Vargas. A campanha contra o governo vigente abrangeu todo o país. Os políticos e tenentes, derrotados nas eleições de 1930, conduziram o movimento, que em menos de um mês, foi vitorioso. Com o apoio de grande parte do povo, o jornal, oposicionista, foi invadido e empastelado. Por quatro meses, o Jornal do Brasil ficou fechado. Era o fim de uma era – o da Primeira República (1889-1930). Getúlio chegava ao poder, pela primeira vez.

Texto e pesquisa: Maria Célia Fraga e Maurício Villela

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