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Arquivo JB |
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Pereira Carneiro assume a direção do jornal e traça novas
diretrizes
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A
Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, trouxe o encarecimento
excessivo de vários produtos no Brasil. Um deles, o papel,
matéria-prima do jornal, fez com que a crise financeira do
Jornal do Brasil se avolumasse. Em 1919, sem condições
de resgatar a hipoteca feita ao Conde Pereira Carneiro,o Jornal
do Brasil passou para as suas mãos, deixando de ser dos
irmãos Mendes, proprietários desde 1894. É
hora de mudar.
Durante os quinze anos da gestão dos irmãos Mendes,
o jornal voltou-se para as questões populares, muitas vezes
sensacionalistas. Com a chegada do Conde Pereira Carneiro , o Jornal
do Brasil tinha como objetivo reencontrar as suas melhores tradições
sem se afastar da verdade. Ao assumir, o Conde pediu prudência
e moderação à sua equipe – o jornal não
poderia se envolver em campanhas que representassem risco financeiro.
O Conde, graças ao seu talento de empresário, sabia
o que era o jornalismo moderno.
As
campanhas de interesse público continuaram, mas com uma preocupação
especial na maneira de conduzi-las e apresentá-las em uma
linguagem elevada. Aos colaboradores de renome que já faziam
parte da redação do jornal, somaram-se figuras de
prestígio nos meios intelectuais, como Anibal Freire e Barbosa
Lima Sobrinho, que escreveu no Jornal do Brasil por quase
oitenta anos, tendo começado em 1921, vindo de Pernambuco,
aos 24 anos.
Apesar
da moderação e da neutralidade impostas na gestão
do Conde Pereira Carneiro, todos os fatos – e o período
era de grandes mudanças políticas, econômicas
e sociais – , estiveram presentes nas páginas do Jornal
do Brasil como: a morte do presidente recém-eleito Rodrigues
Alves, em 1919, e a posse do seu vice Delfim Moreira, que ao deixar
o governo após oito meses concedeu entrevista exclusiva ao
jornal; a posse de Epitácio Pessoa, em 1919; a Revolta do
Forte de Copacabana, em 1922 e a Semana de Arte Moderna, em 1922.
A primeira travessia aérea do Atlântico Sul realizada
por Sacadura Cabral e Gago Coutinho, culminado com a chegada ao
Rio, em 17 de junho de 1922, mereceu edição especial
de 11 mil exemplares, todos vendidos a cem réis cada um.
Ainda em 1922, apesar da posição de neutralidade,
o Jornal do Brasil, apoiou discretamente, a candidatura de
Nilo Peçanha. Com a vitória de Arthur Bernardes, surgiu
uma aproximação do governo, feita por Anibal Freire,
em 1924, que na época era diretor do jornal, e foi nomeado
ministro da fazenda do novo governo. A Revolução paulista
de 1924 também foi coberta pelo jornal. A partida de futebol
Vasco e Fluminense, em 1923, traz para a primeira página
do jornal, inovando, uma foto de esporte.
Em
1926, ainda na linha editorial adotada por Pereira Carneiro, de
discrição, o Jornal do Brasil apoiou a candidatura
de Washington Luís à presidência da República.
Com a vitória, o apoio continuou, inclusive quando a oposição
ao novo governo foi ganhando força com a candidatura oposicionista
de Getúlio Vargas. A campanha contra o governo vigente abrangeu
todo o país. Os políticos e tenentes, derrotados nas
eleições de 1930, conduziram o movimento, que em menos
de um mês, foi vitorioso. Com o apoio de grande parte do povo,
o jornal, oposicionista, foi invadido e empastelado. Por quatro
meses, o Jornal do Brasil ficou fechado. Era o fim de uma
era – o da Primeira República (1889-1930). Getúlio
chegava ao poder, pela primeira vez.
Texto e pesquisa: Maria Célia Fraga e Maurício
Villela |
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