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Arquivo JB |
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A sede nova, na Avenida Central, recém aberta, era
um exemplo de funcionalidade e beleza. Com relógio
e holofotes no topo, o prédio combinava com o novo
Rio, que foi surgindo, graças às realizações
do prefeito Pereira Passos, iniciadas em 1902.
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...Ouvia-se
o estourar de foguetes nos vários ângulos da cidade,
de espaço a espaço o badalar das campainhas dos animais,
dos bondes, durante toda a noite, charangas, serenatas, cantorias,
tudo quanto poderia exprimir a expansão da alma do povo,
pela entrada do novo ano e do século 20.'' Foi assim, que
o Jornal do Brasil, no dia dois de janeiro de 1901, saudou
o novo século. O jornal já completava 10 anos. Continuava
a ser uma tribuna popular. As seções em defesa do
povo se multiplicavam. As crônicas policiais, a cobertura
do Carnaval e o jogo do bicho eram assuntos constantes. ''Subúrbios'',
''Queixas do Povo'', ''Crimes da Polícia'' davam o tom do
jornal. O povo sabia que podia contar com o Jornal do Brasil.
O Brasil era agora, desde 1903, governado por Rodrigues Alves. Dispondo
de recursos, e em parceria com o prefeito Pereira Passos, o governo
realizou uma série de obras de reurbarnização
na capital da República. Surge a Avenida Central, atual Avenida
Rio Branco, onde, seguindo a modernização da cidade,
o Jornal do Brasil, então com ampla popularidade,
inicia em 1905 a construção de sua nova sede. A pedra
fundamental havia sido inaugurada em 14 de outubro de 1904.
Apesar
da boa vendagem do jornal, a construção da sede e
a compra de nova maquinaria trouxeram dificuldades financeiras à
empresa. Os irmãos Mendes, proprietários do jornal,
transformaram o Jornal do Brasil em sociedade anônima
e, a partir de 1º de agosto de 1906, sua primeira página
passou a ser totalmente ocupada por anúncios classificados,
alteração gráfica que perduraria por mais de
quarenta anos.
As
mudanças gráficas não alteraram o conteúdo.
Ainda com o apelido de ''O Popularíssimo'', o jornal continuou
a se destinar a atender às reivindicações do
povo, mas não encampava os movimentos populares, como ficou
comprovado pela cobertura da Revolta da Chibata. Durante mais de
sessenta dias, o jornal publicou diversas edições
diárias, dando amplo destaque para o assunto sem apoiar,
no entanto, os revoltosos, posicionando-se a favor da legalidade
e da ordem.
Em
12 de janeiro de 1910, a redação e as oficinas passaram
a funcionar no novo edifício da Avenida Central, atual Avenida
Rio Branco 110 - onde está instalada hoje a sede do jornal.
Projetado pelo arquiteto italiano Benvenuto Berna, o prédio
era, na primeira décado do século, o mais alto da
América Latina e o primeiro a ser construído com estrutura
metálica. Alguns toques de art nouveau, que começava
a despontar, marcavam o requinte do seu anterior.
Em
fevereiro de 1912, em continuidade ao processo de modernização,
chegaram à redação as três primeiras
máquinas de escrever - as canetas bico-de-pena seriam substituídas
em breve. Ainda em 1912, foi lançada a página ilustrada
de Esportes às quintas e domingos. Em 1913, surgiu a seção
dominical Modas e Elegâncias e uma série de reportagens
sobre as condições das favelas, que levaram o presidente
Hermes da Fonseca a visitá-las, acompanhado de diretores
e redatores do Jornal do Brasil, com a prom essa de melhorá-las.
Com
o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o encarecimento
do papel levou o jornal a uma grave crise financeira. A empresa
é hipotecada ao Conde Pereira Carneiro.
Nestes
quinze anos retratados neste capítulo da história
do Jornal do Brasil, os acontecimentos do mundo já
estão chegando com mais velocidade às páginas
como o naufrágio do Titanic, o vôo de Santos Dumont,
entre outros. Apesar de ser considerado popular, nem só as
reivindicações populares estavam nas páginas
do jornal. Os assuntos que marcaram a história do país
também estiveram nas páginas do jornal. A vitória
de Rodrigues Alves para a presidência da República,
em 1902; a vacinação obrigatória imposta por
Oswaldo Cruz, em 1904 e toda a campanha e os distúrbios na
Capital Federal; os muitos melhoramentos feitos pelo prefeito Pereira
Passos - ''o Rio civiliza-se'', como dizia o slogan na época;
as campanhas e as eleições presidenciais de 1906,
1910 e 1914; a criação do Serviço de Proteção
aos Índios; a inauguração do Theatro Municipal
do Rio, e a tragédia que foi a morte de Euclides da Cunha,
estiveram nas páginas do Jornal do Brasil.'
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