1901-1915
O jornal atravessa com sucesso o novo século

Arquivo JB

A sede nova, na Avenida Central, recém aberta, era um exemplo de funcionalidade e beleza. Com relógio e holofotes no topo, o prédio combinava com o novo Rio, que foi surgindo, graças às realizações do prefeito Pereira Passos, iniciadas em 1902.

...Ouvia-se o estourar de foguetes nos vários ângulos da cidade, de espaço a espaço o badalar das campainhas dos animais, dos bondes, durante toda a noite, charangas, serenatas, cantorias, tudo quanto poderia exprimir a expansão da alma do povo, pela entrada do novo ano e do século 20.'' Foi assim, que o Jornal do Brasil, no dia dois de janeiro de 1901, saudou o novo século. O jornal já completava 10 anos. Continuava a ser uma tribuna popular. As seções em defesa do povo se multiplicavam. As crônicas policiais, a cobertura do Carnaval e o jogo do bicho eram assuntos constantes. ''Subúrbios'', ''Queixas do Povo'', ''Crimes da Polícia'' davam o tom do jornal. O povo sabia que podia contar com o Jornal do Brasil.


O Brasil era agora, desde 1903, governado por Rodrigues Alves. Dispondo de recursos, e em parceria com o prefeito Pereira Passos, o governo realizou uma série de obras de reurbarnização na capital da República. Surge a Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, onde, seguindo a modernização da cidade, o Jornal do Brasil, então com ampla popularidade, inicia em 1905 a construção de sua nova sede. A pedra fundamental havia sido inaugurada em 14 de outubro de 1904.

Apesar da boa vendagem do jornal, a construção da sede e a compra de nova maquinaria trouxeram dificuldades financeiras à empresa. Os irmãos Mendes, proprietários do jornal, transformaram o Jornal do Brasil em sociedade anônima e, a partir de 1º de agosto de 1906, sua primeira página passou a ser totalmente ocupada por anúncios classificados, alteração gráfica que perduraria por mais de quarenta anos.

As mudanças gráficas não alteraram o conteúdo. Ainda com o apelido de ''O Popularíssimo'', o jornal continuou a se destinar a atender às reivindicações do povo, mas não encampava os movimentos populares, como ficou comprovado pela cobertura da Revolta da Chibata. Durante mais de sessenta dias, o jornal publicou diversas edições diárias, dando amplo destaque para o assunto sem apoiar, no entanto, os revoltosos, posicionando-se a favor da legalidade e da ordem.

Em 12 de janeiro de 1910, a redação e as oficinas passaram a funcionar no novo edifício da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco 110 - onde está instalada hoje a sede do jornal. Projetado pelo arquiteto italiano Benvenuto Berna, o prédio era, na primeira décado do século, o mais alto da América Latina e o primeiro a ser construído com estrutura metálica. Alguns toques de art nouveau, que começava a despontar, marcavam o requinte do seu anterior.

Em fevereiro de 1912, em continuidade ao processo de modernização, chegaram à redação as três primeiras máquinas de escrever - as canetas bico-de-pena seriam substituídas em breve. Ainda em 1912, foi lançada a página ilustrada de Esportes às quintas e domingos. Em 1913, surgiu a seção dominical Modas e Elegâncias e uma série de reportagens sobre as condições das favelas, que levaram o presidente Hermes da Fonseca a visitá-las, acompanhado de diretores e redatores do Jornal do Brasil, com a prom essa de melhorá-las.

Com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o encarecimento do papel levou o jornal a uma grave crise financeira. A empresa é hipotecada ao Conde Pereira Carneiro.

Nestes quinze anos retratados neste capítulo da história do Jornal do Brasil, os acontecimentos do mundo já estão chegando com mais velocidade às páginas como o naufrágio do Titanic, o vôo de Santos Dumont, entre outros. Apesar de ser considerado popular, nem só as reivindicações populares estavam nas páginas do jornal. Os assuntos que marcaram a história do país também estiveram nas páginas do jornal. A vitória de Rodrigues Alves para a presidência da República, em 1902; a vacinação obrigatória imposta por Oswaldo Cruz, em 1904 e toda a campanha e os distúrbios na Capital Federal; os muitos melhoramentos feitos pelo prefeito Pereira Passos - ''o Rio civiliza-se'', como dizia o slogan na época; as campanhas e as eleições presidenciais de 1906, 1910 e 1914; a criação do Serviço de Proteção aos Índios; a inauguração do Theatro Municipal do Rio, e a tragédia que foi a morte de Euclides da Cunha, estiveram nas páginas do Jornal do Brasil.'


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