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Arquivo JB |
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Do sobrado alugado saiu a primeira edição:
sonho tornado realidade
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Era
1891.O Brasil republicano dava os primeiros passos. Há menos
de dois anos deixara de ser monarquia e se transformara nos Estados
Unidos do Brasil. Os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto
foram eleitos pelo Congresso, respectivamente, presidente e vice-presidente
da República. Inicia-se um período de perturbações
políticas em todo o país. De um lado, os republicanos,
do outro, os monarquistas, alijados do poder. O Rio, capital federal,
fervia e precisava de mais um jornal, assim como os monarquistas.
É neste contexto que surge a idéia de se lançar
o Jornal do Brasil. Era necessário um novo diário
que veiculasse críticas ao governo.
Em 1890, o ex-ministro do Império, Rodolfo de Sousa Dantas,
com o apoio do escritor e político Joaquim Nabuco, que seria
o correspondente em Londres, e de outros intelectuais da época,
começam a discutir as bases do novo jornal. Com a empresa
formada, surge em nove de abril de 1891, o Jornal do Brazil, ainda
com o 'z' no lugar do 's' de Brasil. Nesta data, comemorava-se o
60º aniversário de Te Deum celebrado pela ascensão
de dom Pedro II ao trono imperial, comprovando as ligações
iniciais do jornal com a monarquia. A sede do jornal ficava na Rua
Gonçalves Dias 56, no Centro do Rio. Era um pequeno sobrado
com três janelas e uma sacada. A primeira edição
saiu com oito páginas. O pavilhão do jornal, como
era costume, foi hasteado pelo gerente Henrique de Villeneuve. Era
branco com letras pretas, demonstrando a isenção e
a neutralidade, apesar de no primeiro momento ter sido fundado por
monarquistas.
Os
primeiros meses de vida do jornal foram tranqüilos, até
a chegada de Joaquim Nabuco, que veio de Londres para assumir a
chefia da redação. Neste período, começaram
a surgir os problemas do jornal com os governantes. Uma série
de artigos intitulados 'Ilusões Republicanas' e 'Outras ilusões
republicanas', criticava o novo regime, provocando animosidade com
os do poder, mas também com os monarquistas mais radicais,
que condenavam Nabuco por sua moderação. Em cinco
de dezembro de 1891, o Jornal do Brasil lançou sua
primeira edição especial, por ocasião da morte
de dom Pedro II. A relação com o governo ficou ainda
mais conflituosa, culminando com a invasão da sede do jornal
e o afastamento de Dantas e Nabuco.
Comandada
por Henrique de Villeneuve, que também ficou com a chefia
da redação, inicia a articulação para
transformar a empresa de sociedade comanditária para sociedade
anônima. Foram meses difíceis. Em abril de 1892 chegam
os novos proprietários, também simpatizantes da monarquia.
Apesar da crise financeira pela qual passava, resultado da invasão
e das mudanças de comando, o ritmo do jornal continuou o
mesmo.
Em
abril de 1893, um novo grupo, ligado a Ruy Barbosa, comprou o jornal.
Novamente era uma sociedade comanditária. Rui assumiu a direção
e recebeu carta branca. O jornal mudou o seu enfoque, deixando de
ser monarquista e defendendo o regime republicano, sem apoiar, no
entanto, a ditadura de Floriano Peixoto, presidente da República.
O apoio de Ruy aos militares que queriam derrubar o governo, demonstrado
pela publicação da petição do habeas
corpus em favor do almirante Eduardo Wandelkok, acirra as relações
com o governo. Floriano exige a saída de Ruy, que não
deixa o jornal. Dias depois, explode a Revolta da Armada e o presidente
da República decreta o estado de sítio. A imprensa
silencia, com exceção do Jornal do Brasil,
que publica o fato. Floriano determina a prisão de Ruy, que
consegue sair do país. O jornal foi fechado e assim ficou
por um ano e quarenta e cinco dias.
A
15 de novembro de 1894, data comemorativa da Proclamação
da República, o jornal volta a circular. A opção
pela data ratificava o apoio à República. O jornal
pertencia agora aos irmãos Mendes. A proposta era ser um
jornal popular, voltado para as reivindicações populares.
Seções
destinadas a atender às reclamações do povo
foram criadas. O noticiário policial ganhou espaço
nas páginas do jornal. Em 1897, as primeiras caricaturas
foram publicadas e, em 1900, a primeira edição vespertina
foi publicada. Nada mais lembra o primeiro Jornal do Brasil
– só o nome havia ficado.
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