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UM
PLANO PARA FECHAR O JORNAL
ELIO GASPARI
Em janeiro de 1977,
o general Hugo de Andrade Abreu, então Comandante da Brigada Pára-Quedista
- só alguns meses depois ele assumiria a chefia do Gabinete Militar do
governo Geisel- redigiu um relatório confidencial destinado a tornar inviável
o Jornal do Brasil . No documento, intitulado de Medidas contra
JORNAL DO BRASIL, ele afirmava que a ação "contestadora e subversiva"
do JB exigia medidas repressivas do governo. O jornalista Elio Gaspari,
na época redator do Informe JB, teve acesso ao documento. Eis a sua íntegra.
"Medidas
contra o Jornal do Brasil"
"1. A atuação do
Jornal do Brasil, sua ação contestadora e subversiva permanente,
está a exigir medidas repressivas do governo. Não é possível, numa situação
ainda de consolidação dos sistema revolucionário, quando o próprio Congresso
sofre limitações, que um órgão de imprensa, na defesa de interesses escusos,
continue a investir impunemente contra todos os atos do governo, visando
dificultar-lhe a ação. Já foram tentadas, sem êxito, medidas de caráter
suasório. Todas elas esbarraram na absoluta falta de escrúpulos do vice-presidente
executivo do JB, Sr. Nascimento Brito.
"2. As medidas propostas
a seguir deverão ser impostas progressivamente, na ordem de prioridade
em que estão apresentadas e as de caráter financeiro atingirão a todo
o grupo onde se inclui o Jornal do Brasil. Além dessas medidas,
a Censura poderá ser adotada em qualquer fase, dependendo da reação do
jornal. A melhor forma de censura será a apreensão do número do jornal,
depois de impresso, antes da distribuição.
Medidas
financeiras
a. Suspensão
do crédito oficial: Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNH e BNDE, outros
bancos federais ou estaduais, repasse de crédito oficial, por intermédio
de bancos particulares. Esta suspensão de crédito inclui a impossibilidade
de reforma de empréstimo ou qualquer facilidade para o pagamento da dívida
contraída.
b. Suspensão
da publicidade oficial: inclui a suspensão de toda a publicidade paga
por órgãos do governo, seja da presidência, dos ministérios ou de órgãos
vinculados a estes, inclusive empresas estatais. Incluem-se nesta restrição
editais e outras publicações que devem sair na imprensa. É importante,
também, que os órgãos do governo do Estado do Rio de Janeiro participem
do mesmo esquema. Convém notar que o JB publicou há dias um suplemento
especial da Embratur e poucos dias atrás havia publicado suplemento semelhante
relativo à Embraer.
c. Suspensão
da composição para liquidação de débitos atrasados: a liquidação de qualquer
débito com entidades governamentais deve ser processada imediatamente.
Não será aceita qualquer espécie de negociação para o parcelamento do
pagamento de dívidas atrasadas, já que o Grupo não merece crédito. Incluem-se
aí as composições habitualmente feitas para o pagamento de dívidas para
com a previdência social.
d. Pressões
contra anunciante do Jornal do Brasil: as organizações particulares
que se incluem entre os maiores anunciantes do jornal - exemplo: Sérgio
Dourado, Gomes de Almeida Fernandes, Adolfo Lindemberg - serão pressionadas
para que suspendam seus anúncios, sob pena de perda do crédito oficial.
e. Verificação
do Imposto de Renda: proceder-se-á a uma verificação detalhada da situação
com relação ao Imposto de Renda, não só do Grupo Financeiro do Jornal
do Brasil (pessoa jurídica), como também de seus diretores (pessoas
físicas). Como conseqüência serão aplicadas as penalidades previstas na
legislação em vigor.
Investigação
no jornal
Como medida final,
o ministro da Justiça determinará a realização de investigação no jornal,
de acordo com o que prescreve o artigo 79 da Lei de Segurança Nacional.
A investigação deverá abranger todos os aspectos da administração do jornal,
não só sua contabilidade, como a conduta política de todos os integrantes
de sua direção. As conclusões da investigação deverão ser levadas às últimas
consequências com o enquadramento dos diretores na Lei de Segurança Nacional
e a colocação do jornal sob a intervenção do governo.
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