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ALBERTO
DINES
Alberto Dines esteve
por 12 anos à frente da Redação do JB, tendo assumido pela primeira
vez o cargo de editor em janeiro de 1962. Numa época de ditadura militar
e censura aos órgãos de comunicação, Dines comandava o jornal em pelo
menos dois momentos históricos: em dezembro de 1968, após a decretação
do AI-5, mandou para as bancas uma edição marcada por ironias e linguagens
figuradas; e, em 1973, driblou os censores mais uma vez, noticiando de
forma original o golpe militar no Chile.
MORTE
DE SALVADOR ALLENDE (12/09/1973)
Uma
das mais importantes páginas do jornalismo nacional foi escrita em 12
de setembro de 1973, quando Alberto Dines chefiava a redação do JORNAL
DO BRASIL. Na véspera, em Santiago, no Chile, eclodia o golpe contra
o governo do presidente Salvador Allende, que foi achado morto num dos
gabinetes do Palácio de La Moneda - e a partir daí a ditadura de Augusto
Pinochet se instalaria de vez no país. Os censores brasileiros, que na
época exerciam seu controle nas redações dos jornais através de bilhetinhos
ou telefonemas, haviam determinado ao JB que a notícia da morte
de Allende não tivesse nenhum destaque na primeira página. Nada de títulos
garrafais, muito menos fotos abertas em várias colunas. Pois bem. Uma
solução teria que ser encontrada, o jornal tinha que driblar de algum
jeito a imposição da censura. Fez-se então uma primeira página sem manchete
alguma, sem uma fotografia sequer, só com texto - as letras, de corpo
24, eram as maiores que os equipamentos da época permitiam. Ou seja: além
do tradicional L de anúncios classificados, a morte do presidente chileno
era o único assunto da primeira página do jornal. O impacto foi grande,
muito maior do que qualquer título ou chamada teria. Uma edição que já
foi descrita como uma das mais subversivas da história do jornal. Nas
linhas finais do texto era descrito o trabalho do enviado especial do
JB a Santiago, Humberto Vasconcelos, "que assistiu aos últimos
momentos do governo Allende e destacou que os esquerdistas foram tomados
de surpresa com a ação militar, que pôs fim a 41 anos de normalidade constitucional
no Chile."
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