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O COMEÇO DO FUTURO
Desde o início do
ano o Jornal do Brasil vem tomando medidas para sanear suas finanças
e reforçar sua redação. "Estamos resolvendo os problemas que prejudicaram
o jornal durante décadas, ao mesmo tempo em que traçamos uma estratégia
para o futuro", diz José Antônio do Nascimento Brito, presidente do Conselho
Editorial do JB. Segundo ele, as principais mudanças são as seguintes:
- Foi criada uma
nova empresa, a Companhia Brasileira de Multimídia, CBM, da qual fazem
parte o JB Online, a Agência JB e as rádios Cidade e JB FM. A CBM também
arrendou o título "Jornal do Brasil" por 60 anos.
- A companhia Docasnet,
do empresário Nelson Tanure, tornou-se acionista da CBM, e a ela caberá
a administração da nova empresa.
- O jornal passou
a usar um papel de qualidade superior, melhorando a sua impressão.
- Para fortalecer
o jornal, estão sendo contratados 20 repórteres e editores no Rio, em
São Paulo e em Brasília.
- Os computadores
da redação e da área comercial serão substituídos por modelos de última
geração.
- Os departamentos
de venda de assinaturas, distribuição e captação de anúncios estão sendo
reestruturados e modernizados.
- O JB deixará
a sua sede na Avenida Brasil e se transferirá para o Centro da cidade.
- Para saldar suas
dívidas fiscais, a empresa aderiu ao Programa de Recuperação Fiscal, o
Refis. Foi feito um planejamento para saldar as dívidas trabalhistas.
Esse conjunto de
medidas visa, em última análise, a fortalecer o jornal, de maneira que
os leitores possam contar, em poucos meses, com um JB melhor. Ele
implica, internamente à empresa, numa profunda reestruturação. "Abandonamos
um sistema acionário familiar, ganhamos um novo sócio, estamos buscando
outros e adotamos uma estrutura gerencial altamente profissionalizada",
diz José Antônio do Nascimento Brito.
Segundo o presidente
do Conselho Editorial, a CBM foi criada na expectativa de mudanças na
legislação na área da imprensa, de modo a permitir que pessoas jurídicas
sejam acionistas de jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.
"Já existem investidores brasileiros interessados na CBM", diz José Antônio
do Nascimento Brito. "Confio que nos próximos meses contaremos com uma
estrutura de capital bem maior que a da largada."
Para ele, só com
novas parcerias e profissionalização será possível que as empresas de
comunicação cresçam. "O modelo de propriedade familiar é insuficiente
para os novos desafios empresariais", diz. José Antônio do Nascimento
Brito está satisfeito com o seu novo sócio. "Tanure tem tido uma dedicação
extraordinária, e tem nos ajudado muito com a sua experiência em lidar
com empresas em dificuldade."
A dificuldade mais
premente é a dívida da empresa, cujo valor de face está avaliado em cerca
de R$ 800 milhões. Do total, 7% são dívidas a curto prazo, como, por exemplo,
o passivo trabalhista. Em torno de 35% são dívidas fiscais, que estão
se beneficiando do Refis. O restante tem bancos como credores: o antigo
Econômico, o Banerj e o Banco do Brasil.
Parte dessas dívidas
está sendo discutida na Justiça e outras em fase de negociação com os
credores. O diretor do Conselho Editorial acredita que a médio prazo todas
serão resolvidas.
NO
JORNAL, DESDE GAROTO
A
HISTÓRIA DE UMA CRISE
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