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A alegação do MP, segundo o promotor
de Defesa do Consumidor Rodrigo Terra, é
de que o Detran usou um mesmo formulário
para negar todos os recursos que chegaram ao órgão
contestando as penalidades. As investigações
deverão levar a novos cancelamentos de
multas.
De acordo com o promotor, a partir de julho de
2004, o Detran passou a dar o direito de defesa
aos motoristas autuados, mas de forma equivocada.
Rodrigo Terra explicou que a suspeita é
de que recursos de defesa prévia têm
sido indeferidos sem justificativa pelo Detran.
Os únicos recursos admitidos pelo órgão,
conforme contou o promotor, são aqueles
em que a placa do veículo multado foi anotada
de forma errada ou em casos de clonagem de carro.
Vamos ter mais problemas. O Detran continua
agindo de forma errada afirma o promotor.
Pelo que já vimos, o Detran não
tem analisado cada recurso em separado.
É o caso do diretor jurídico de
uma multinacional, João Francisco Gomes.
O carro dele foi multado em abril do ano passado
por estar andando na faixa seletiva da Avenida
Presidente Vargas, na altura do prédio
dos Correios. A notificação da infração,
no entanto, jamais chegou ao diretor jurídico.
Sem poder se defender, acabou impedido de licenciar
o carro no início desse ano. Por conta
do problema, João irá processar
o Detran.
Não paguei nem vou pagar essa multa.
E vou processar o Detran por danos morais
garante João. Nunca soube que a
Presidente Vargas tivesse uma faixa seletiva.
Além disso, a notificação
não foi entregue.
Revoltado, João criticou a postura das
autoridades em relação à
política de trânsito. Para João,
as multas passaram a ser uma fonte de arrecadação
para o governo estadual e os municípios
do Estado, principalmente o Rio.
É muito claro que se criou uma
indústria das multas. É reflexo
da situação que vivemos no Estado
argumenta João, desapontado.
Na terça-feira, a 14ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça (TJ)
anulou 6 milhões de multas aplicadas entre
1998 e 2004 pela Polícia Militar, a Guarda
Municipal e o Departamento de Estradas e Rodagem
(DER). A decisão acatou o argumento de
uma ação civil pública do
MP de que o Detran não concedeu aos motoristas
o direito de defesa prévia, garantido pelo
Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A Procuradoria-Geral do Estado irá recorrer
ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da
sentença do TJ anulando as multas. Ontem,
o promotor Rodrigo Terra voltou a criticar o governo.
Na avaliação de Rodrigo, o Estado
deveria desistir do recurso e tomar a iniciativa
de ressarcir os motoristas que pagaram as multas
agora canceladas.
Como acredita que a decisão não
será tomada, aconselha os motoristas a
entrarem com ação nas varas de Fazenda
Pública assim que sair a decisão
definitiva sobre a anulação das
multas.
O duro caminho da anistia
O alto índice de inadimplência
752.731 dos quase 4 milhões de veículos
nos 10 primeiros meses do ano passado é
o principal obstáculo para a aprovação
da Lei de Anistia do IPVA aprovada pela Alerj
na noite de quarta-feira. O grande número
de multas, que já somam R$ 38 milhões
de receita com a qual os cofres estaduais estão
contando, deve pesar na decisão da governadora
Rosinha Matheus, que tem 30 dias para aprovar
ou vetar integralmente o projeto. No entanto,
para o líder do governo na Alerj, deputado
estadual Noel de Carvalho, a decisão será
fácil:
O projeto é inconstitucional, por
isso não vai passar garante.
Outro obstáculo que deve deixar os devedores
pessimistas é a Lei de Responsabilidade
Fiscal, que em tese não permite que governos
abram mão de receitas tópico
que foi incluído no escopo da lei justamente
para evitar isenções de impostos
populistas.
O projeto é de autoria do deputado estadual
Paulo Ramos (PDT) e autoriza o Poder Executivo
a oferecer o benefício de 90% de desconto
no pagamento à vista destas dívidas,
por um período de 120 dias abrange
as multas relativas ao IPVA, multas por infração
de trânsito e diárias de depósitos.
O deputado também inclui no projeto aquelas
infrações anotadas por guardas municipais
e equipamentos eletrônicos.
É importante ressaltar que a anistia
seria dada apenas uma vez, não podendo
ser repetida futuramente disse o parlamentar,
ainda na noite de quarta-feira, após a
vitória na votação.
A Assembléia Legislativa votou ontem pela
manhã mais dois projetos importantes para
os motoristas do Rio. Em um deles, a Casa dá
autorização para o governo do Estado
firmar convênio com a União para
assumir a gestão das rodovias BR-101 e
BR-393. A proposta, também de Paulo Ramos,
ressalva, no entanto, as atribuições
da Polícia Rodoviária Federal e
demais órgãos federais de fiscalização.
A proposta também dá a possibilidade
de o Estado trabalhar em conjunto com os municípios,
mas proíbe a cobrança de pedágio
ou a privatização disse Ramos.
O conflito de atribuição no caso
será inevitável, uma vez que o Ministério
dos Transportes já programou a licitação
do trecho de Campos a Niterói da BR-101
com cinco pedágios.
Em outra discussão, foi pré-aprovado
projeto do deputado estadual Glauco Lopes (PSDB),
segundo o qual o governo do Estado terá
de realizar perícias anuais em pontes e
viadutos de suas rodovias. O projeto de lei 2.296/05
também determina que as concessionárias
ou permissionárias poderão ser obrigadas
a realizar os exames técnicos.
O objetivo é preservar vidas. Sabemos
que a manutenção das rodovias é
ruim, por isso exigimos a realização
de perícias.
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