Estrutura para receber bem

A estratégia de levar a Copa do Mundo ao Nordeste será um presente para a região e, é claro, para o resto do mundo também. Certeza de muita alegria e paisagens de paraíso durante a competição. Por sinal, o período de disputa do torneio coincide com a época dos famosos festejos juninos, quando o Nordeste inteiro arde em uma só fogueira – seja para São João, São Pedro ou Santo Antônio. Caruaru e Campina Grande teriam, de fato, as maiores e melhores arraiás da história.

Toda a região estruturo-se nas últimas décadas. Hoje, conta com 12 terminais marítimos e 21 aeroportos – sendo quatro internacionais – alguns foram reformados e ampliados recentemente. Em Recife, por exemplo, foram investidos mais de R$ 220 milhões na reforma do Aeroporto Internacional dos Guararapes. Concluída no fim de 2004, a reforma aumentou a capacidade do aeroporto de 1,5 milhão de pessoas ao ano para 5 milhões.

A rede hoteleira aumenta com a mesma velocidade que o turismo se desenvolve. Hoje, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), cerca de 25% dos estabelecimentos de hospedagem estão no Nordeste. Não é à toa. De acordo com o a Comissão de Turismo Integrada do Nordeste (CTI-NE), a região recebeu mais de 20 milhões de visitantes no ano passado, dos quais 10% eram de turistas estrangeiros. Uma Copa do Mundo no local elevaria bastante esses números.

Hotéis não faltariam para receber um evento do porte da Copa do Mundo, desde as hospedagens mais simples aos grandes resorts. Os investidores internacionais já descobriram o grande filão da hotelaria no nordeste. Grupos portugueses, como Vila Galé e Espírito Santo, o espanhol Iberostar, a francesa Accor e norte-americano Marriott, por exemplo, já começaram a investir forte na região há algum tempo. Na Bahia, a grande concentração está nas praias entre Salvador e Sauípe. Em Pernambuco, ao sul de Recife, muitos resorts foram construídos nas praias de Cabo de Santo Agostinho, Muro Alto e Porto de Galinhas. O mesmo acontece no litoral cearense.

Se oito cidades forem escolhidas como sede da Copa, uma capital provavelmente ficaria de fora da festa. Saberemos a decisão final da CBF em 2008. Até lá, sonharemos com a nossa Copa – mais arretada do que nunca.

Longe do Rio para esquecer Maracanazzo

Foto Arquivo JB

Se tudo ocorrer como se espera, o torcedor brasileiro poderá ver a sétima conquista no seu próprio país. Ao que tudo indica o Brasil voltará a organizar a maior competição de futebol em 2014. Isso porque a Fifa pretende que um país das Américas sedie o torneio depois da África do Sul.

A primeira e única vez que organizamos a Copa foi em 1950, quando perdemos a final para os vizinhos uruguaios – jogo apelidado por eles como Maracanazzo. Entretanto, o torneio que deve ser disputado novamente no país daqui a oito anos promete ser bem diferente. Poderemos ter a partida de abertura em Recife e a final em Fortaleza, por exemplo. Isso mesmo, sem a participação de estádios cariocas, paulistas ou qualquer outro do sul do país.

Salvador, Recife e Fortaleza saltam na frente para organizar as partidas de abertura e a grande final. São as que oferecem melhores estruturas e que sustentam mais tradição no cenário nacional do futebol. Também têm os estádios maiores, mesmo que isso não signifique muito – já que todas as arenas esportivas passarão por reformas ou construídas para a Copa de 2014. E que o heptacampeonato venha em território brasileiro, com tempero especial do Nordeste.