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Madonna, com "Confessions on a dance floor" volta à lista dos 10 discos mais vendidos
Crise que não acaba jamais
Mercado fonográfico brasileiro despencou 20% em unidades em 2005, acompanhando maré desfavorável em todo o mundo

João Bernardo Caldeira

Por essa o mercado fonográfico não esperava. Os números do setor referentes à 2005, divulgados agora pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), mostram que houve queda de 12,9% em valores e 20% em unidades. O prejuízo, também observado no cenário internacional, inclui tanto a venda de CDs como também de DVDs, um nicho que, no ano anterior, havia tirado a indústria do disco da crise que já dura anos. O revés surpreendeu os executivos do ramo, conforme explica Paulo Rosa, diretor geral da entidade, que representa as gravadoras multinacionais:

- O resultado foi decepcionante, principalmente vindo depois de um ano que deu sinais de recuperação. Ninguém tinha a ilusão de que o crescimento de 100% na venda de DVDs, que aliviou o setor em 2004, seria mantido. Mas também não se previa uma queda tão drástica.

O comércio de DVDs caiu 14% em valores e 9% em unidades, enquanto o de CDs despencou 12% e 21%, respectivamente. A indústria fonográfica movimentou R$ 615 milhões no ano passado, e vendeu 52 milhões de unidades. Para Paulo Rosa, o cenário negativo foi fruto da pirataria, do download ilegal e de um quadro estagnado na economia brasileira.

A boa notícia divulgada foi a volta do Brasil ao ranking dos 10 maiores mercados do planeta, ocupando a 10ª colocação. Liderada por Estados Unidos, Japão e Inglaterra, a listagem inclui apenas países de Primeiro Mundo.

- Isso aconteceu por conta da valorização do real frente ao dólar, mas estamos longe do tempo em que estivemos na 6ª posição, no fim dos anos 90. Mas o importante é que o Brasil ganhará mais importância dentro do foco das gravadoras multinacionais - analisa Paulo Rosa.

Os resultados negativos foram observados ainda no mercado mundial, também divulgados agora pela ABPD. Segundo dados colhidos pela International Federation of Phonographic Industry (IFPI), a associação mundial do setor, a queda foi de 3% em valores. O quadro só não ficou pior por conta das vendas on-line (para telefone celular ou downloads), consideradas o novo sopro de esperança. O lucro obtido com esta nova modalidade de comércio aumentou de US$ 380 milhões de dólares, em 2004, para US$ 1,1 bilhões, em 2005.

Em 2006, o Brasil finalmente deverá gerar receita com o comércio digital, com a entrada dos portais Terra e UOL na venda de música pela internet, conforme divulgou em primeira mão o JB em março. Para completar o cenário favorável, o site Imusica fechou negócio recentemente para comercializar o catálogo de diversas majors, até então reticentes com este novo modelo de negócios.

- Há indícios que me levam a depositar grande expectativa no mercado on-line em 2006 - diz Paulo Rosa, com otimismo.
Já de olho nos primeiros números de 2006 colhidos porém não divulgados, o diretor da ABPD diz ter motivos para estar confiante em um novo panorama que parece surgir:

- Nestes primeiros meses os números estão estáveis, portanto não há queda nem crescimento. Dependendo da performance no segundo semestre, podemos dizer que há espaço para esperarmos uma recuperação este ano.

A IFP divulgou ainda a relação dos dez discos mais bem-sucedidos comercialmente no ano passado, sem especificar o número de cópias vendidas por cada um. Os músicos campeões de venda foram Coldplay (com o CD "X & Y"), Mariah Carey ("The emancipation Of Mimi"), 50 Cent ("The massacre"), Black Eyed Peas ("Monkey business"), Green Day ("American idiot") e a cantora Madonna ("Confessions on a dance floor"), de volta às paradas depois de lançar CDs de fraco desempenho nas lojas.