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| Milena deixou Brasília e se
mudou para o Rio, junto com seu marido, o violonista Rogério
Caetano |
Brasília bem brasileira
Direto da capital do país, Milena
Tibúrcio lança seu primeiro CD, recheado de ritmos
típicos do Brasil
Gardênia Vargas
Com sua voz doce e sotaque puxado, Milena
Tibúrcio chega de Brasília para abraçar
o Rio de Janeiro com sua música. Ela só tem
24 anos, mas é decidida e cheia de planos. É
professora de educação artística num
dos melhores colégios cariocas e acaba de lançar
seu primeiro CD - Milena Tibúrcio -, que traz
uma seleção escolhida a dedo, com o objetivo
de mostrar seu trabalho de composição.
- Quando pensei no repertório, quis fazer uma amostra
das minhas músicas - fala Milena, que veste a camisa
da música brasileira e distribui, nas 12 faixas, valsa,
ciranda, baião, samba e choro.
Muitas das composições começaram a ser
feitas na sua adolescência, o que explica o tom inocente
do trabalho, que abre com o afoxé Brincadeiras,
composta para uma peça infantil dirigida por sua irmã,
e que ganhou letra de Caio Tibúrcio, pai e o mais freqüente
parceiro da cantora.
- Ele é o mais empolgado. Quando fiz minha primeira
música ele logo letrou para me incentivar, e eu, em
resposta, continuei a lhe entregar a maioria das canções
que faço. Cresci no meio musical graças a ele.
Tudo que eu conheço foi meu pai quem me mostrou - diz
a cantora, mostrando o grande laço familiar presente
em seu trabalho.
Milena está no Rio há um ano e veio para acompanhar
seu marido, o violonista Rogério Caetano, que chegou
na cidade para lançar seu primeiro disco e seguir carreira.
- Foi juntar a fome com a vontade de comer. Eu até
poderia esperar mais um pouco antes de vir para o Rio, mas
sempre esteve nos meus planos. Quando casei com Rogério,
que já não cabia mais em Brasília, não
tivemos dúvidas em mudar para o Rio - conta Milena.
Rogério Caetano divide a produção do
disco com o violonista Daniel Santiago, que também
tem lugar importante na vida da compositora. Foi com ele que
ela teve o primeiro contato com os músicos de Brasília.
E também foi Daniel quem a levou para as rodas de choro
e esteve ao seu lado em todos os momentos musicais.
Com arranjo sofisticado de Daniel e letra de Wilson Bebel,
Vendaval mostra o lado versátil das composições
de Milena Tibúrcio, assim como em O amor
e o tempo, canção dedicada à Rogério,
que dá um ar romântico ao CD. Influências
como Ivan Lins e Milton Nascimento aparecem em Meu Passarim,
uma das faixas mais melódicas do disco.
A cantora, mais uma vez, se firma no regionalismo e na música
brasileira com o baião Viagens. A letra, de
Jayme Lima, cita a alma brasileira, valorizando suas raízes.
Assim como em Sonhar não custa nada, um samba
com letra de Cláudio Jorge e participação
de Makey na voz, na qual cantam um sonho de qualquer músico:
Na onda da enchente de canções / que brotarão
nas ruas livremente / independentemente / Se um dia eu tiver
poderes dos sobrenaturais, é... / eu vou mandar trocar
bombas por percussões / e vamos ter vida melhor.
A única instrumental do álbum - Valsa para
Guinga - tem a dedicatória de Milena ao violinista
Guinga, talvez o compositor mais homenageado por seus contemporâneos.
Com o bandolim de Hamilton de Holanda e o violão de
sete cordas de Rogério Caetano, a faixa Não
complica é mais um samba da cantora em parceria
com o pai.
Ao ser perguntada por que não fez o caminho natural
de quem vem para o Rio e segue a cantar e tocar pelos bares
da cidade, Milena defende a relevância dos palcos alternativos,
mas não deixa de enfatizar a vontade de mostrar suas
próprias composições, já que nas
noites o artista tende a reproduzir sucessos já existentes.
- Não descarto as noitadas musicais, mas o que quero
mesmo é mostrar meu trabalho autoral em meus shows
- afirma.
Para mais informações,
acesse: www.milenatiburcio.com.br
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