Foto de  Divulgação
Além da bossa nova
Cantora brasileira desponta no mercado americano com projeto Thievery Corporation e lança carreira solo com mistura de MPB e música eletrônica

Débora Motta

RIO - Karina Zeviani seria mais uma cantora brasileira em busca da fama nos Estados Unidos se não fosse um grande diferencial: seu trabalho solo, uma mistura de ritmos regionais da MPB com música eletrônica, vai além do que a já batida combinação de bossa nova e samba que ilustra o imaginário dos estrangeiros ao pensarem na música nacional.

- A maioria dos músicos brasileiros que vão para o exterior toca o mesmo formato brazilian jazz , tipo bossa. Sinto falta de projetos inovadores, já que boa parte faz apenas cover na noite – diz a cantora e compositora de 30 anos.

Karina, radicada em Nova York há dois anos, chamou a atenção de David Byrne ao se apresentar semanalmente no bar Nublu, no badalado bairro de East Village. O cantor a convidou para participar do projeto eletrônico Thievery Corporation , que vai gravar o álbum The Cosmic Game .

- Vou cantar também na turnê do Thievery , que acontece de julho a setembro nos Estados Unidos. O CD deve sair até o ano que vem – antecipa Karina.

Ao contrário de cantoras consagradas no exterior como Bebel Gilberto e Cibelle, Karina não tem o apoio de nenhum produtor de peso e investe no cenário independente. De passagem pelo Brasil, tocou no Rio na semana passada, na boate 00, e segue com a turnê, custeada por ela mesma, em São Paulo, até o dia 20 deste mês.

A trajetória de Karina é cosmopolita. Nascida no interior paulista, em Jaboticabal, foi descoberta por um assistente de fotógrafo da agência de modelos Ford e partiu para Hamburgo, na Alemanha. Lá, descobriu sua vocação como cantora e começou sua carreira cantando música brasileira na noite. Depois, passou um ano em Londres, onde começou a se interessar por ritmos eletrônicos. Quando finalmente se mudou para Nova York, resolveu assumir o desejo de organizar um trabalho musical próprio e começou a compor:

- Decidi montar um projeto solo e lutar por ele. Componho letras e melodias, que geralmente nascem no piano. Pretendo lançar um disco solo independente neste ano.

Influenciada por bandas nordestinas como Chico Science & Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado e Mestre Ambrósio; e por ícones da MPB como Caetano, Gil e Elis Regina, Karina reuniu um time multicultural para sua banda, junto com o produtor e tecladista belga Frederik Rubens. O baixista, Ben Zwerin, é francês. Yayo Serka, o baterista, é chileno e, na guitarra, o libanês Raed el Khazem dá o tom. Para conferir a agenda de shows e o som dessa turma, acesse:

http://myspace.com/karinazeviani