Rio Maracatu chegou...

12.09.2006

Depois de quase 10 anos de cortejos pela cidade, oficinas de dança e percussão, o bloco Rio Maracatu se reúne à banda Lapada para lançar o primeiro álbum do grupo.

Por Gardênia Vargas

O estrondo do tambor vem de longe. As calungas com saias rodadas enfeitiçam quem passa; os estandartes anunciam a chegada e mesmo os mais desavisados ficam de orelha em pé. O baque virado do Rio Maracatu já arrastou muitos curiosos pelos cortejos nos domingos ensolarados da praia de Ipanema, pelas ladeiras de Santa Teresa e sob a lua nos Arcos da Lapa. Quando a história começou, era só um bloco. Logo, surgiu a oficina de percussão e dança, e agora formação de palco, com guitarra e até bateria. Depois de nove anos, o sonho ganha som. A banda Rio Maracatu Lapada lança CD homônimo. Com o grupo resumido a 10 pessoas - os blocos de rua chegam a 50 –, o disco chega às lojas pelo selo Rádio MEC, com ares de independência.

- O bloco já anda com as próprias pernas - diz Chicote, um dos formadores e único pernambucano do Rio Maracatu. - A apresentação é regional e voltada para as tradições do maracatu de baque virado. O grupo de palco sentia falta das próprias influências - explica, deixando claro que tendência da banda é se chamar somente "Lapada" - de lapada na alfaia (tambor), uma porrada sonora.

Desvincular o nome Rio Maracatu do novo projeto pode ser arriscado, mas para quem acompanha os braços do projeto inicial tomando vida própria, é melhor explicar bem direitinho que o público vai ver um show do que correr o risco de ficar todo mundo esperando o bloco passar.

- Tem gente que confunde tudo. Pensam que vão ver o mesmo espetáculo da praia e até se decepcionam. É bom que fique claro que no palco sustentamos o maracatu, mas também usamos de influências pop, rock, funk, eletrônica... - afirma Chicote.

O disco abre com a bela "Maracatu embolado", de Rodrigo Maranhão. Sua melodia inexata é uma das melhores surpresas do liquidificador sonoro. Outras, como Verde mar, de Capiba e Samba negro, domínio público (descoberto durante pesquisa) são verdadeiras pérolas. De acordo com o produtor, o carioca Pedro Luis (Pedro Luis e a Parede), o CD já chegou pronto. Com repertório e idéias já prédefinidas pelo grupo.

- E a idéia era muito boa. Fui somente o embaixador do acontecimento. Dei poucos pitacos nos arranjos. Ainda chamei meu amigo Renato (Alcher), de quem sou fã, ele me ajudou muito e acabou virando co-produtor do disco - conta Pedro.

- O repertório é todo de músicas que tocamos há anos (Que baque é esse?, de Lenine, por exemplo). No CD elas ganharam arranjos mais sofisticados, mas quem nos acompanha sabe que é esse nosso repertório - defende Bruno Abreu, percussionista do grupo.

Bruno é um dos fundadores do Rio Maracatu ao lado de Chicote, Tiago Magalhães e Adriano Sampaio. Depois de algumas diversas formações, há dois anos a banda traz, além dos já citados a cima, Patrícia Oliveira (voz e percussão), André Bala (voz e flauta), Cachaça (viola, guitarras, bandolim e cavaquinho), Pedro Costa (violão, violão de aço e guitarra), Rodrigo Scofield (bateria) e Sidão Santos (baixo). runo.

Para quem quiser frequentar as oficinas do Rio Maracatu, é só entrar no site: www.riomaracatu.com e se informar sobre dias e horários.