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| Na gravadora Trama,
banda manteve a autenticidade, garante o cantor Felipe
S. |
Recife volta a
dar as cartas
Segundo disco do Mombojó, grupo badalado
pela crítica, traz Tom Zé e Céu
Gardênia Vargas
O grupo Mombojó não pensa em ganhar o mundo
por dinheiro, e nem se preocupa em estourar nas paradas. Essas
foram as primeiras palavras de Felipe S., vocalista e letrista
da banda recifense, que acaba de lançar seu esperado novo
disco, "Homem-espuma" (Trama). Em 2004, o grupo foi considerado
a grande revelação do rock brasileiro pela crítica especializada,
com o álbum independente "Nada de novo".
Todos na faixa dos 18 a 24 anos e pertencentes
à classe média de Recife, os sete integrantes não vivem do
grupo, mas sim do Del Rey, banda cover de Roberto Carlos criada
há dois anos junto com o cantor China.
– É assim que conquistamos Recife – conta
Felipe.
Em "Homem-espuma", diferentemente do que aconteceu
na estréia, a banda teve tempo para compor arranjos com calma
e inserir novidades tecnológicas. No liquidificador sonoro
entram mangue beat, uma pitada de jovem guarda, synth-pop,
soul, rock dos anos 80 e 90, samba, funk, eletrônica e até
metal.
Para chegar a este resultado, foi fundamental
o tratamento e estrutura recebidos da gravadora, diz Felipe:
– Uma das nossas exigências foi manter a liberdade
que tivemos para gravar o primeiro álbum, além de continuar
permitindo o acesso às nossas músicas na internet. Fora isso,
o estúdio da Trama, em São Paulo, é sensacional, e nos permitiu
fazer novas experimentações.
O disco conta com a participação da paulistana
Céu, na lenta "Tempo de carne e osso", cantora que estreou
em disco no ano passado e ganhou estrondosos elogios da crítica.
Tom Zé também está presente, na faixa "Realismo convincente",
de refrão forte e pegajoso. O cantor baiano recita os versos
de uma música de seu repertório, "Tô".
– Quando Tom aceitou gravar com a gente eu
nem acreditei. Sempre gostei de seus versos, mas nunca imaginei
que um dia ele iria gravar conosco – comemora.
As diversas nuances e camadas de Homem-espuma
mostram um apurado trabalho de produção, assinada por Lucio
Maia, guitarrista da Nação Zumbi, e Ganja Man, do Instituto.
O apreço por este lado da música é tão grande que uma hora
dessas Felipe S. ainda vai abandonar o Mombojó, antevê:
– Gosto mesmo é do processo fonográfico em
estúdio. O que quero é ser produtor music.
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